Preços da indústria recuam 0,3% em maio, mas acumulam alta de 4,8% em 2026

Queda foi puxada principalmente pelos setores de alimentos e indústrias extrativas; químicos e borracha e plástico registraram as maiores altas no mês.

Redação
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Os preços da indústria brasileira recuaram 0,30% em maio na comparação com abril, interrompendo a sequência de altas registrada nos meses anteriores, quando o Índice de Preços ao Produtor (IPP) havia avançado 2,62%. Apesar da retração mensal, o indicador acumula alta de 4,80% nos cinco primeiros meses de 2026 e elevação de 1,99% no acumulado de 12 meses, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPP mede a variação dos preços dos produtos “na porta da fábrica”, sem considerar impostos e fretes, refletindo o comportamento dos preços recebidos pelos produtores industriais. Das 24 atividades pesquisadas pelo IBGE, sete registraram queda nos preços em maio.

O principal impacto negativo veio da indústria de alimentos, que respondeu por -0,48 ponto percentual da variação geral do índice. O setor apresentou queda de 2,05% nos preços em maio, influenciado principalmente pela redução nos valores do açúcar VHP, açúcar cristal, leite UHT e café torrado e moído. O avanço da safra da cana-de-açúcar, o início da colheita do café e a valorização do real frente ao dólar contribuíram para esse movimento.

Outro destaque foi o setor de indústrias extrativas, que registrou queda de 5,90% em maio, a maior entre todas as atividades pesquisadas. A retração foi influenciada principalmente pelos menores preços do petróleo bruto e do minério de ferro no mercado internacional. Mesmo assim, o segmento acumula alta de 15,78% no ano e de 16,65% em 12 meses.

Na contramão, a indústria de borracha e plástico apresentou aumento de 4,80% nos preços em maio, enquanto o segmento de outros produtos químicos avançou 2,14%. Segundo o IBGE, ambos os setores continuam sendo impactados pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que mantém elevados os custos das matérias-primas petroquímicas e pressiona toda a cadeia produtiva.

O refino de petróleo e biocombustíveis também registrou queda de 1,27% em maio após dois meses consecutivos de alta. Ainda assim, o setor acumula inflação de 8,27% em 2026, impulsionada principalmente pelos preços dos combustíveis e derivados do petróleo.

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários — insumos utilizados pela própria indústria — recuaram 0,29% em maio e exerceram a maior influência sobre o resultado geral, respondendo por mais da metade da composição do índice. Os bens de consumo caíram 0,34%, enquanto os bens de capital apresentaram retração de 0,21%.

Apesar da queda registrada em maio, o acumulado de 4,80% no ano representa o quarto maior índice para um mês de maio desde o início da série histórica do IPP, em 2014, demonstrando que os preços industriais seguem pressionados em diversos segmentos da economia brasileira.

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