Esse é um estacionamento de uma cooperativa no interior do Acre

Redação
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A imagem é trivial. Tecnicamente, a luz não é a ideal. Está cheia de erros. Mas é representativa pelo que ela simboliza. Esta é uma fotografia do estacionamento do pátio de uma cooperativa no interior do Acre. Mais precisamente, em Mâncio Lima. E a cooperativa retratada é a Coopercafé (Cooperativa dos Cafeicultores do Vale do Juruá). Era um dia de assembleia. Um dia até trivial.

A sutileza e simplicidade da cena não revelam o tanto de trabalho agregado. É nesse instante que aquilo não mostrado na imagem se agiganta. A realidade retratada na imagem não deixa dúvidas: o cooperativismo está mudando a geografia econômica no Acre. E veio amparada pela Agricultura. O café está construindo, efetivamente, uma classe média no interior do Acre.

Neste sábado, por exemplo, aderiram à Coopercafé mais 91 produtores. A expectativa era de que fossem 110. Mas 19 não conseguiram estar presentes. E uma das regras é que só se ingressa no grupo aqueles que estiverem presencialmente para assinar a ficha de adesão, em carne, osso e esperança.

Não há, na história do cooperativismo do Acre, uma “Queda da Bastilha”. Não há um evento específico que possa servir como marco. O cooperativismo foi se embrenhando nas falências das ações do poder público e do sindicalismo, o seu irmão mais velho. Onde os governos falhavam e onde as lutas políticas do sindicalismo não apresentavam solução concreta ao trabalhador, ali o cooperativismo foi, vagarosa e calculadamente, conquistando a confiança de um e de outro. E “confiança”, como muito já se escreveu sobre, é a palavra que move a Economia.

A coisa foi tomando corpo. Os espaços na rotina do trabalhador agrícola de base familiar foram sendo preenchidos de forma processual. Mas é importante fazer um reconhecimento. No Acre, o cooperativismo vinculado à agropecuária foi articulado de maneira profissional primeiro pelo INCRA – ACAR/EMATER/Secretaria de Estado de Agricultura, ainda na época da ditadura civil-militar. Nesse período, uma personagem que teve muita importância aqui no Acre foi o tecnólogo em Cooperativismo Nilson Josué Costa que veio do Rio Grande do Norte.

O fato é que, deste período para cá, o cooperativismo começou a chamar atenção também dos patrões. Estes, rapidamente, encontraram nas cooperativas de crédito uma representatividade de classe que hoje se apresenta poderosa para a modesta economia do Acre. E hoje, o Acre vê uma diversidade de cooperativas. Cada uma com suas peculiaridades.

Mas é na Agricultura onde o cooperativismo melhor expressa a força que tem. E os historiadores econômicos vão conseguir registrar que as cooperativas têm um alvo estratégico em toda a teia que tece em torno do trabalhador agrícola. Certamente, há o componente ambiental, há o componente da sustentabilidade, há o componente político. Todos esses fatores são levados em conta. Mas há um soberano. É o fator renda. Este é o “ponto de ouro”. Esta é a mira.

O trabalhador rural acreano já foi exemplo para o mundo. Conquistou essa visibilidade com luta, sangue, suor e dor. A manutenção da vida do extrativista se confundiu com a defesa da floresta e isso teve (e ainda tem) um apelo global. Este cenário, no entanto, não conseguiu dar respostas práticas à rotina do produtor de base familiar.

Houve muitas conquistas no plano político, sem dúvidas. Durante 20 anos, o partido que simbolizava toda essa luta definiu políticas públicas por aqui. Do ponto de vista simbólico, o trabalhador estava representado na mais alta instância de poder local. Mas a renda persistia baixa. Teimava em não ser distribuída no volume e na escala necessária, mesmo com a melhora no Índice de Gini em momentos pontuais.

A Coopecafé tem sido referência para a organização da classe trabalhadora rural em todo Acre. Ela tem feito orientações estratégicas, coordenadas pela Organização das Cooperativas do Brasil, seccional Acre (OCB/AC). É importante que a OCB/AC jamais esqueça que, no Acre, essa luta de organizar a classe trabalhadora tem história, tem luta que antecede (e muito) o recheio de estacionamentos com carros e motocas da moda. No mais, é acompanhar esse movimento social e torcer para que os governos não atrapalhem e estraguem a foto. Estão todos em busca da luz ideal.

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