Queimadas aumentam 87,5% em maio no Acre, mas estado segue com menor número de focos do país

Avanço da estiagem elevou os registros no último mês, mas dados do Inpe mostram que o Acre lidera ranking nacional de redução de queimadas no acumulado do ano

Redação
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Dados fazem parte do Sistema Nacional de Segurança Pública. (Foto: Neto Lucena/Secom)

O avanço do período de estiagem já começa a refletir nos índices de queimadas no Acre. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que o estado registrou 15 focos de calor durante o mês de maio, um aumento de 87,5% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados oito registros.

O crescimento ocorre em um momento de transição para o verão amazônico, período marcado pela redução das chuvas e pelo aumento do risco de incêndios florestais e queimadas em áreas rurais. Apesar da alta observada no mês passado, os números ainda permanecem baixos quando comparados aos registrados nos períodos mais críticos da seca.

No acumulado de janeiro a maio, o Acre contabilizou apenas 21 focos de calor, conforme os dados do satélite de referência AQUA Tarde, utilizados pelo Inpe para monitoramento nacional. O resultado coloca o estado na liderança brasileira em redução de queimadas, com o menor quantitativo de focos de calor entre todas as unidades da federação.

Na comparação com os cinco primeiros meses de 2025, quando foram registrados 51 focos, a redução chega a aproximadamente 58%. O desempenho também se destaca dentro da Amazônia Legal. Enquanto o Acre registrou 21 ocorrências, Rondônia contabilizou 36 focos e o Amazonas, 128. Já os maiores números foram observados no Pará, com 1.607 focos, Mato Grosso, com 1.550, e Tocantins, com 1.371 registros.

O resultado é atribuído por órgãos ambientais e de monitoramento às ações preventivas realizadas desde o início do ano, incluindo fiscalização, campanhas de conscientização e acompanhamento das áreas mais suscetíveis ao uso do fogo. O estado também vem mantendo vigilância constante em regiões historicamente afetadas pelas queimadas durante o período seco.

Mesmo com o cenário favorável no acumulado anual, especialistas alertam que os próximos meses exigem atenção. Historicamente, o Acre registra aumento significativo dos focos de calor entre julho e setembro, quando a estiagem atinge seu auge e as condições climáticas favorecem a propagação do fogo.

A preocupação é reforçada pelas experiências recentes. Em 2024, o estado enfrentou uma das temporadas mais severas de queimadas e fumaça da última década, com impactos ambientais, econômicos e na saúde da população. Por isso, autoridades ambientais defendem a manutenção das ações preventivas para evitar que o aumento observado em maio se transforme em uma tendência ao longo do segundo semestre.

A orientação continua sendo evitar queimadas sem autorização dos órgãos competentes e comunicar imediatamente qualquer foco de incêndio às equipes de fiscalização e combate, especialmente nas áreas rurais e de floresta. Com a estiagem apenas começando, o desafio do Acre será manter os baixos índices registrados até agora e preservar a posição de destaque no controle das queimadas em 2026.

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