A produção agropecuária e extrativista do Acre movimenta cifras bilionárias, mas também expõe inconsistências relevantes nas bases de dados do próprio IBGE. Enquanto o Censo Agropecuário de 2017 aponta forte peso da pecuária, especialmente da bovinocultura, as estimativas mais recentes de 2023 indicam avanço das culturas agrícolas — sobretudo mandioca e banana — e crescimento expressivo do extrativismo vegetal.
Um dos pontos que mais chama atenção é o contraste entre os dados do extrativismo vegetal. A castanha-do-brasil, principal produto florestal não madeireiro do estado, alcançou valor de produção de R$ 66 milhões em 2023, com mais de 9 mil toneladas produzidas. No entanto, no Censo Agropecuário de 2017, a atividade aparece registrada em apenas dois estabelecimentos, tendo seus dados praticamente omitidos por sigilo estatístico.
Situação inversa ocorre com a copaíba. Enquanto o Censo de 2017 aponta mais de 1.500 toneladas produzidas em 569 estabelecimentos, gerando R$ 6,6 milhões, as estimativas de 2023 indicam produção quase irrelevante, inferior a 500 kg e com valor de apenas R$ 6 mil.
Além desses, produtos como açaí e borracha também se destacam no extrativismo, tanto pelo número de produtores quanto pelo valor gerado, consolidando a importância da bioeconomia no estado.
Na agricultura, o protagonismo é das culturas alimentares. A mandioca segue como principal produto agrícola do Acre, com valor de produção que chegou a R$ 244 milhões em 2023. O milho aparece em seguida, com R$ 164 milhões, reforçando a base produtiva voltada para segurança alimentar e abastecimento interno.
Entre as culturas perenes, a banana lidera com folga, atingindo R$ 114 milhões em valor de produção, seguida pelo café, que também apresentou crescimento expressivo, alcançando R$ 28 milhões.
Já as culturas nativas, como maracujá e cupuaçu, embora importantes para a agricultura familiar, apresentam menor participação econômica, ainda que com potencial de expansão.
Na pecuária, o destaque absoluto continua sendo a bovinocultura. Em 2017, a venda de bovinos movimentou cerca de R$ 690 milhões, representando 58% de toda a produção agropecuária do estado naquele ano. Em 2023, o rebanho bovino chegou a quase 5 milhões de cabeças, consolidando o Acre como um estado de forte vocação pecuária.
Outras cadeias também aparecem com relevância, como a produção de leite, ovos e suínos, embora com participação menor no total da economia rural.
A piscicultura vem ganhando espaço, com produção estimada em R$ 35 milhões em 2023, impulsionada principalmente pelo tambaqui, responsável por quase 40% desse valor.
No geral, os dados mostram que o Acre mantém uma economia rural diversificada, com forte presença da pecuária, crescimento da agricultura e potencial significativo no extrativismo. No entanto, as diferenças entre o Censo Agropecuário e as estimativas mais recentes indicam desafios na mensuração da produção, especialmente em atividades tradicionais e dispersas, como o extrativismo.
Esse cenário reforça a necessidade de aprimoramento dos levantamentos estatísticos para garantir maior precisão e apoiar políticas públicas mais eficazes para o setor.
