Projeto quer propor novas referências produtivas e sustentáveis

A desvalorização da floresta tem sido uma construção social perigosa. Pesquisadora ressalta que em um país com dimensões continentais, há espaço para tudo

Itaan Arruda
Andrea Alechandre: desvalorizar a floresta tem sido uma construção social. Em um país de dimensões continentais, há espaço para tudo. (Foto: Whisley Ramalho)

A pesquisadora e coordenadora do Projeto Esperançar, Andrea Alechandre, faz uma reflexão a respeito da relação entre o modo de vida das populações tradicionais das reservas extrativistas e os modelos econômicos em vigor na região.

“Quando se mostra a um jovem uma floresta e, ao mesmo tempo, uma área de plantação de soja, milho ou pasto e se pergunta ‘o que há aqui?’ [mostrando a área de mata]… o jovem diz ‘Nada! Não há nada aqui’. E ao apontar à área de agricultura ele diz ‘Aqui tem soja; tem milho; tem pasto’. Essa percepção de desvalor da floresta foi imposta a ele; foi dita a ele; foi ensinada a ele. Isso é uma construção social”, diz a pesquisadora Alechandre. “Isso foi ensinado. Foi ensino de que floresta é atraso e pasto é desenvolvimento”.

Para a pesquisadora, os processos produtivos não são excludentes. Há espaço para tudo. “O Brasil é um país de dimensões continentais. É possível perceber e respeitar os diversos modos de produção”.

Alechandre também ressaltou que os estudos estritamente voltados para as Florestas Tropicais é algo relativamente, recente. São esses estudos que conseguirão “decifrar” toda a complexidade da diversidade biológica existente nas florestas tropicais. A compreensão dessas relações e o compartilhamento desse conhecimento são instrumentos estratégicos para a defesa das florestas. É o que entende a coordenadora.

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