Plano Safra 2026/27 entra em debate com foco em dívidas e sustentabilidade no campo

Entidades do agro antecipam propostas ao governo federal, defendendo crédito mais integrado à gestão de riscos, incentivo ao seguro rural e medidas para enfrentar o endividamento dos produtores

Redação
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A pouco mais de três meses para o fim do ano-safra 2025/26, entidades do agronegócio já começaram a apresentar propostas ao governo federal para a construção do Plano Safra 2026/27. O movimento ocorre em paralelo ao avanço das discussões no Palácio do Planalto sobre as novas diretrizes da política agrícola.

Entre os documentos já encaminhados está o da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne mais de 400 representantes do setor privado, instituições financeiras, academia e sociedade civil. As contribuições foram organizadas em notas técnicas elaboradas pela Agroicone e enviadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

O material aponta a necessidade de maior integração entre crédito rural, gestão de riscos e incentivos à sustentabilidade, diante do aumento da exposição do setor a eventos climáticos extremos. A proposta busca fortalecer instrumentos já existentes e direcionar recursos para uma agropecuária mais sustentável e resiliente.

Entre os principais eixos está a ampliação do crédito para recuperação e conversão de pastagens degradadas, tanto para grandes produtores quanto para a agricultura familiar. Outro ponto central é o reforço da gestão de riscos, com maior integração entre crédito e seguro rural. A ideia é incentivar a contratação de apólices por meio da redução de custos financeiros para produtores segurados e elevação dos encargos para operações sem cobertura.

O documento também propõe avanços na chamada Taxonomia Sustentável Brasileira, com o objetivo de alinhar critérios socioambientais ao crédito rural. Além disso, sugere mudanças na alocação de recursos dos fundos constitucionais, priorizando produtores de menor porte e atividades alinhadas à agenda sustentável.

Há ainda recomendações para fortalecer instrumentos de política ambiental, como a implementação do Código Florestal e do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), integrando essas diretrizes às linhas de financiamento agrícola.

Paralelamente, o tema do endividamento rural ganhou espaço nas discussões. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso encaminhou ao MAPA propostas para enfrentar o avanço das dívidas no campo, que, segundo a entidade, já impacta a capacidade produtiva em diversas regiões.

A associação avalia que houve distorção na oferta de crédito no Plano Safra 2025/26. Apesar do crescimento nominal das contratações, o avanço foi impulsionado principalmente pelas Cédulas de Produto Rural, com juros livres, enquanto linhas tradicionais de custeio e investimento com equalização apresentaram retração.

Diante desse cenário, a entidade propõe a destinação de R$ 20 bilhões para o alongamento de dívidas vencidas e a vencer, com taxas compatíveis com a atividade agropecuária. Também sugere o uso de recursos de fundos constitucionais e do Fundo Social para viabilizar a renegociação de passivos e a concessão de novos financiamentos.

Outra proposta é o ajuste da Medida Provisória nº 1.337/2026, ampliando o alcance das medidas para produtores afetados por decretos de emergência estaduais.

As discussões antecipadas indicam que o próximo Plano Safra deve trazer como pilares o enfrentamento do endividamento rural, a ampliação do acesso ao crédito e a incorporação de práticas mais sustentáveis, em resposta aos desafios climáticos e econômicos enfrentados pelo setor.

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