A inflação oficial do país, medida pelo IPCA, registrou alta de 0,70% em fevereiro, puxada principalmente pelo grupo de alimentação. Ao mesmo tempo, o cenário do agronegócio mostra movimentos distintos: enquanto o café apresenta recuo nos preços diante de novas estimativas de safra, a produção de grãos segue com perspectiva de novo recorde histórico no Brasil.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,70% em fevereiro na comparação com janeiro. No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 3,81%. O grupo Alimentação e Bebidas teve variação de 0,26%, com destaque para o subgrupo alimentação no domicílio, que subiu 0,23%.
Entre os principais itens que pressionaram os preços estão o açaí, com alta expressiva de 25,29%, o feijão-carioca, que subiu 11,73%, além do ovo de galinha (4,55%) e do leite longa vida (1,24%). As carnes também registraram aumento, ainda que mais moderado, de 0,58%.
No mercado internacional, o café apresentou queda nos preços após revisão positiva na safra brasileira. A consultoria StoneX elevou em 6,5% a estimativa de produção para 2026, projetando 75 milhões de sacas. O aumento da oferta ajudou a interromper a sequência de altas, mesmo em um cenário ainda influenciado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que geram incertezas logísticas.
No dia 13 de março, o café arábica negociado em Nova York registrava retração de 1,2%, enquanto o robusta, em Londres, acumulava queda mais intensa, de 5,8%. No mercado interno, os preços seguem elevados, com o indicador Cepea apontando R$ 1.901,07 por saca para o arábica e R$ 1.011,41 para o robusta.
Já no segmento de grãos, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de 353,4 milhões de toneladas para o ciclo 2025/2026, crescimento de 0,3% em relação à temporada anterior, o que configura um novo recorde histórico. A soja deve atingir 177,8 milhões de toneladas, enquanto o milho pode chegar a 138,3 milhões.
No mercado interno, os preços do milho seguem em alta, impulsionados pela demanda aquecida, especialmente em regiões consumidoras. Em Campinas (SP), a saca de 60 kg já supera R$ 70, patamar que não era observado desde dezembro do ano passado.
As negociações de soja também ganham ritmo, estimuladas pela demanda internacional, pela valorização cambial e pela necessidade de produtores honrarem compromissos financeiros. A média de março já alcança R$ 129,32 por saca, acima dos R$ 126,33 registrados em fevereiro.
No campo, a colheita da soja já alcança 50,6% da área plantada no país, com avanço consistente em estados como Mato Grosso. Por outro lado, regiões do Matopiba ainda enfrentam dificuldades devido ao excesso de chuvas, que pode afetar a qualidade dos grãos.
O plantio do milho segunda safra atinge 75,9% da área prevista, com bom desempenho em estados do Centro-Oeste, embora problemas como baixa umidade do solo e altas temperaturas já comecem a impactar algumas regiões.
No setor sucroenergético, os preços do açúcar cristal e do etanol registram queda em março. Em São Paulo, o açúcar acumula média de R$ 97,77 por saca, com recuo de 2,8% frente a fevereiro. Já o etanol hidratado está em R$ 2,93 por litro, enquanto o anidro é negociado a R$ 3,27, ambos com leve retração no mês.
Outro destaque é o setor de frutas, legumes e verduras, que vive um cenário de aumento na produção e nas vendas, mas sem avanço proporcional na renda dos produtores. O maior volume ofertado tem pressionado os preços, reduzindo a rentabilidade ao longo da cadeia.
A tendência, segundo análises do setor, é que o crescimento futuro dependa menos do volume produzido e mais da capacidade de agregar valor aos produtos, com foco em qualidade, padronização e diferenciação.
No clima, o início do outono traz previsão de redução gradual das chuvas em boa parte do país. Na região Norte, ainda são esperados volumes acima da média em estados como Acre, Amazonas e Pará, enquanto áreas do Tocantins podem registrar períodos mais secos. Já no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a tendência é de diminuição das chuvas e aumento das temperaturas, o que pode impactar o desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas.
