O custo da cesta básica aumentou em 14 das 27 capitais brasileiras em fevereiro de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Nas outras 13 capitais houve redução no valor do conjunto dos alimentos básicos.
A parceria entre as duas instituições, firmada em 2024, ampliou a coleta de preços de alimentos de 17 para 27 capitais brasileiras. Os resultados dessa nova abrangência passaram a ser divulgados a partir de agosto de 2025 e contribuem para o acompanhamento da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e da Política Nacional de Abastecimento Alimentar.
Entre janeiro e fevereiro deste ano, as maiores altas no custo da cesta foram registradas em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%), Vitória (1,79%), Rio de Janeiro (1,15%) e Teresina (1,07%).
São Paulo apresentou o maior custo da cesta básica do país em fevereiro, com valor médio de R$ 852,87. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$ 793,77).
Já os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 562,88), Porto Velho (R$ 601,69), Maceió (R$ 603,92) e Recife (R$ 611,98). Nas capitais do Norte e Nordeste, a composição da cesta básica é diferente das demais regiões, com menor quantidade de carne e inclusão da farinha de mandioca em substituição à farinha de trigo.
No acumulado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, 25 capitais apresentaram aumento no custo da cesta básica e apenas duas registraram queda. As maiores elevações ocorreram no Rio de Janeiro (4,41%), Aracaju (4,34%) e Vitória (3,98%). Florianópolis (-0,47%) e Brasília (-0,30%) foram as únicas capitais com redução no período.
Com base no custo da cesta mais cara, registrada em São Paulo, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro de 2026, valor equivalente a 4,42 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621.
O levantamento também mostra que o tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta básica nas 27 capitais foi de 93 horas e 53 minutos em fevereiro. Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto da contribuição previdenciária, os trabalhadores comprometeram, em média, 46,13% da renda mensal para comprar os alimentos básicos.
Entre os produtos pesquisados, o feijão registrou aumento de preço em 26 capitais, influenciado pela oferta mais restrita e dificuldades na colheita. Já o óleo de soja apresentou queda em 26 cidades, reflexo do excesso de oferta do grão e da desvalorização do dólar frente ao real, fatores que reduziram os preços no mercado interno.
