Brasil e Equador firmam acordo para desenvolver banana resistente à pragas

Parceria liderada pela Embrapa busca avançar no melhoramento genético de bananeiras do grupo Cavendish contra a raça 4 tropical da murcha de Fusarium

Luiz Eduardo Souza

Representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e da Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) assinaram um memorando de entendimento para cooperação técnica voltada ao desenvolvimento de variedades de banana resistentes à raça 4 tropical da murcha de Fusarium (Foc R4T), considerada a doença mais destrutiva da cultura no mundo.

O acordo foi firmado na quinta-feira (5), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e prevê pesquisas conjuntas para o melhoramento genético preventivo de bananeiras do subgrupo Cavendish, amplamente cultivado no mercado internacional.

A doença, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense, já foi identificada em países próximos ao Brasil, como Colômbia (2019), Peru (2020), Venezuela (2023) e Equador (2025). Apesar de ainda não ter sido registrada em território brasileiro, a praga está no sistema de vigilância oficial do Ministério da Agricultura por representar alto risco à bananicultura.

O fungo se espalha principalmente por solo contaminado, ferramentas agrícolas, calçados e mudas infectadas, podendo permanecer no ambiente por longos períodos e inviabilizar áreas produtivas.

Durante a assinatura do memorando, o ministro da Agricultura do Equador, Juan Carlos Vega Melo, destacou a importância da cooperação diante do impacto da bananicultura na economia do país. Segundo ele, mais de 250 mil famílias dependem da atividade.

O Equador é atualmente o maior exportador de bananas do mundo, com quase 4 milhões de toneladas enviadas ao exterior em 2023, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Já o Brasil produziu cerca de 7 milhões de toneladas em 2024, de acordo com o IBGE, volume voltado principalmente ao mercado interno.

A parceria prevê a validação de genótipos resistentes em áreas com presença da doença, o que permitirá testar variedades em condições reais de pressão do fungo. A estratégia também busca reduzir o risco de disseminação da praga e proteger a produção brasileira.

Pesquisas conduzidas pela Embrapa já identificaram duas variedades resistentes à Foc R4T: a BRS Princesa, do tipo Maçã, e a BRS Platina, do tipo Prata. Com isso, o Brasil se tornou o único país das Américas com cultivares comprovadamente resistentes à doença.

Além da murcha de Fusarium, a cooperação também prevê estudos sobre o moko da bananeira, doença bacteriana altamente destrutiva que pode causar perdas totais nas lavouras. O problema já está presente no Equador e atualmente se encontra restrito à região Norte do Brasil.

A iniciativa também abre espaço para novas parcerias em áreas como pesquisa em cacau, transferência de tecnologias agrícolas e intercâmbio de informações técnicas entre os dois países.

Compartilhar esta notícia
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *