Frigomarca, exportadora de carne para o Irã, descarta demissões

O frigorífico de Senador Guiomard mantinha exportações regulares para o Irã, suspensas em função da guerra. São 570 funcionários que atuam na empresa

Itaan Arruda

O empresário Luiz Freitas, do frigorífico Frigomarca, descartou a possibilidade de demissões na unidade de Senador Guiomard por causa da guerra no Oriente Médio. Entre 30% e 35% da operação realizada na empresa tem o Irã como destino.

“Vamos fazer todo o esforço, vamos fazer o que for possível para a manutenção dos empregos”, garantiu o empresário. “Nós temos muito respeito pelos nossos funcionários e, ao menos por enquanto, isso está descartado. Caso o conflito se prolongue por muito tempo, isso pode ser reavaliado. Mas a ordem é manter”.

O Frigomarca tem 570 funcionários na planta industrial de Senador Guiomard. E o impacto com a suspensão das exportações foi imediato. “As companhias marítimas suspenderam os embarques. Nós precisamos encontrar rotas alternativas ao Estreito de Ormuz”. No entendimento de Freitas, o conflito afeta a todos frigoríficos que mantêm comércio com os países da região e não apenas com o Irã, diretamente envolvido na guerra contra EUA e Israel.

Na avaliação do empresário, no curto prazo, o mercado interno brasileiro vai ficar saturado em função do que qualificou como “super oferta do produto”.

O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas e Abatedouros do Acre, Murilo Leite, também está apreensivo com o escalonamento do conflito. Caso se amplie e demore muito, os efeitos serão impactantes no preço da arroba. “O cenário de incerteza é ruim para os negócios, é ruim para o produtor, é ruim para todos”, afirmou.

O cenário de insegurança criado pelo conflito ocorre justamente quando a Scot Consultoria, uma das empresas de maior credibilidade na análise dos cenários econômicos ligados à agropecuária, classificou o Acre como o sexto do país com maior variação percentual no preço da arroba, com 10,2%.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) calcula que o impacto da guerra nas exportações será da ordem de 30% a 40%. Todo o Oriente Médio importa cerca de 250 mil toneladas de carne do Brasil. Mas a região estando em conflito militar é também grave porque parte da importação da carne brasileira feita pela China utiliza os portos da região para que, a partir dali, chegue ao destino utilizando outros modais.

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