Os números históricos da pecuária bovina acreana em 2025 escondem um movimento silencioso que pode redefinir os próximos anos do setor. O Boletim Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC) aponta que, além do recorde de abates, houve uma mudança significativa no perfil dos animais enviados ao frigorífico: as fêmeas passaram a superar os machos.
O estado registrou 664.455 cabeças abatidas em 2025, crescimento de 14,31% em relação a 2024 e o maior volume dos últimos onze anos. O dado confirma o aquecimento da indústria frigorífica, mas a inversão na composição dos abates chama atenção.
No ciclo pecuário, o aumento do abate de fêmeas costuma indicar fase de ajuste. Em momentos de expansão, produtores tendem a reter matrizes para ampliar o rebanho. Já quando há maior descarte, o movimento pode sinalizar busca por liquidez, ajuste de oferta ou mudança estratégica diante das condições de mercado.
O Acre encerrou 2025 com 5.177.787 cabeças declaradas ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), distribuídas em mais de 24 mil propriedades. A bovinocultura representa 97,18% do Valor Bruto da Produção da pecuária estadual, estimado em R$ 2,96 bilhões pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, a arroba bovina registrou valorização média de 17,4%, passando de R$ 230 para R$ 270. O patamar elevado pode ter estimulado o descarte de matrizes como estratégia financeira, aproveitando o momento favorável.
A questão que se impõe é direta: o Acre está encerrando um ciclo de expansão e entrando em fase de ajuste do rebanho? O comportamento dos próximos anos será determinante para responder essa pergunta.
