A discussão sobre a saída de bezerros do Acre para outros estados tem ganhado força no setor pecuário e colocado em lados opostos frigoríficos e produtores rurais. Em entrevista ao Agro24cast, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, avaliou que a preocupação da indústria é pertinente, mas ponderou que o pecuarista também tem razões econômicas para tomar suas decisões.
Segundo Assuero, do ponto de vista dos frigoríficos, a apreensão é compreensível. A indústria depende diretamente da matéria-prima, que é o boi, e tem realizado investimentos com base em projeções de mercado e no crescimento do segmento pecuário no estado. Diante desse cenário, a saída de bezerros, que representam o futuro boi gordo, acende um alerta para o setor.
“Os frigoríficos estão trazendo essa discussão para as autoridades e para a sociedade justamente para evitar que esse bezerro saia do Acre para ser engordado em outros estados, o que pode provocar falta de matéria-prima aqui no futuro”, pontua.
Por outro lado, o presidente da Faeac destaca que o pecuarista também tem motivos legítimos para suas decisões. Nos últimos meses, o preço da arroba do boi gordo passou por forte desvalorização, reflexo de um excesso de oferta de animais para abate. Com isso, os frigoríficos operam com preços mais baixos, o que gera insatisfação entre os produtores.
Nesse contexto, Assuero explica que a principal preocupação do pecuarista não é exatamente o boi gordo, mas o bezerro. A saída desses animais do estado aumentou de forma significativa no ano passado, reacendendo o debate sobre retenção da produção no Acre.
Apesar das divergências, ele ressalta que, no fim das contas, é o mercado que explica o movimento. “O produtor reage às condições de preço, oferta e demanda. O que está acontecendo hoje é consequência direta do comportamento do mercado”, conclui.
