Mapa atualiza zoneamento de risco climático da cana-de-açúcar

Nova portaria do Ministério da Agricultura redefine regras para o plantio em sistema de sequeiro e revoga normas anteriores do ZARC

Luiz Eduardo Souza
Zarc da cana-de-açúcar passa por atualização e redefine áreas aptas e períodos de plantio no país. Foto: Reprodução

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aprovou o novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a cultura da cana-de-açúcar, destinada à produção de açúcar e etanol, em sistema de cultivo de sequeiro. A medida consta na Portaria SPA/MAPA nº 4, de 22 de janeiro de 2026, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (26).

O zoneamento passa a valer para o Distrito Federal e para os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e São Paulo. Com a publicação, ficam revogadas portarias anteriores de 2018, que tratavam do cultivo da cana tanto em regime de sequeiro quanto com irrigação de salvação em diversas unidades da federação, incluindo o Acre.

De acordo com o Mapa, o objetivo do ZARC é reduzir riscos climáticos, orientar o planejamento agrícola e diminuir perdas de produção, ao indicar as áreas e os períodos mais adequados para o plantio da cana-de-açúcar. O estudo considera níveis de risco de 20%, 30%, 40% e superior a 40%, além de definir as janelas ideais de plantio ao longo do ano.

O zoneamento leva em conta uma série histórica de 30 anos de dados climáticos (1992 a 2022), utilizando informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Agência Nacional de Águas (ANA), do CPTEC/INPE e de bases complementares por satélite. Entre os critérios avaliados estão a disponibilidade hídrica no solo, a ocorrência de geadas, o excesso de chuvas no período de colheita e a probabilidade de alcançar produtividade mínima de 65 toneladas por hectare.

Segundo o estudo, a cana-de-açúcar apresenta melhor desenvolvimento em temperaturas médias entre 28°C e 34°C, sendo sensível tanto a extremos de calor quanto a baixas temperaturas e geadas. O consumo de água varia conforme os estádios fenológicos da cultura, o que torna o manejo hídrico um fator determinante para o rendimento final.

O ZARC também define os tipos de solos aptos ao cultivo, classificados em seis categorias conforme a capacidade de armazenamento de água, e aponta áreas onde o plantio não é recomendado, como regiões com solos rasos, excessivamente arenosos, áreas alagáveis, solos muito pedregosos e locais que não atendam à legislação ambiental ou ao Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).

As informações detalhadas sobre municípios aptos e períodos indicados de plantio estão disponíveis no Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (SISZARC), no painel público do ZARC e no aplicativo Plantio Certo, ferramentas que auxiliam produtores, técnicos e agentes financeiros na tomada de decisão e no acesso a políticas de crédito rural.

Compartilhar esta notícia
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *