O Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Acre (Sindcarnes) prevê um déficit de 150 mil cabeças de gado para abate, caso o volume de saída de bovinos permaneça o mesmo registrado pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) em 2025.
O presidente do Sindcarnes, Murilo Leite, preferiu se pronunciar após o Idaf anunciar formalmente os dados da Declaração de Rebanho, o que foi feito em coletiva de imprensa ontem (13).
Para chegar ao número de 150 mil cabeças como déficit, Leite utiliza os próprios números apresentados pelo Governo do Acre. O plantel bovino acreano se manteve estável com 5.177.000 cabeças em 2025 (uma residual redução de 0,18%, comparado a 2024). Com uma taxa de desfrute de 20%, isso resulta em 1.035.000 cabeças.
O problema reside no volume de gado que sai do Acre. Esse é o problema que gera a insegurança do setor industrial. O raciocínio de Murilo Leite é o seguinte: como o plantel permaneceu praticamente o mesmo, com uma taxa de desfrute em torno de 20%, a reposição deve girar em torno de 1.040.000 animais.
O número estimado pelo Sindcarnes é praticamente o mesmo que foi apresentado pelo Idaf retratando o desempenho da pecuária acreana em 2025. Saída de gado: 378.808 animais; Abate de Gado: 664.455. Somadas as saídas e os abates: 1.043.263 animais.
Se em 2026 for mantido o número de 378 mil bovinos que foram transferidos para outros estados (crescimento de 74,65%, comparado a 2024), vai faltar carne para abater nas indústrias locais, calcula o sindicato. “Os frigoríficos estão preparados para abater oitocentos mil bovinos”, contabiliza Leite, antes de retomar o alerta sobre o papel do Governo do Acre em reagir ao problema iminente. “Se não houver por parte do Governo uma reação justa, dentro do que o mercado está operando, vão faltar cento e cinquenta mil cabeças. É o que estamos calculando hoje, mantidos os números do rebanho, taxa de desfrute e saída”.
Leite argumenta que a demanda interna gira em torno de 30%. Os outros 70% são comercializados para outros estados do país ou exportados. “Não há nenhum indicativo que aponte que a demanda de carne este ano irá ser menor. O Governo precisa atentar para essa situação. Não é justo um bezerro custar dois mil e quinhentos reais e o governo cobrar imposto como se o produto custasse mil e novecentos. Abre mão de receita e ajuda a gerar renda e emprego fora do Acre, trazendo dificuldades para a indústria daqui”.
O presidente do Sindcarnes tem confiança nos investimentos que foram feitos pelos empresários do segmento. A gente já vem alertando. Só não vai haver grande aumento no abate se o governo não cobrar o imposto devido”, afirma. “Nós vamos, novamente, gerar debate no Fórum [Empresarial de Inovação e Desenvolvimento]. Estamos ampliando as possibilidades de mercado com outros países, há muito investimento em jogo e muitos empregos. É preciso uma reação com a gravidade que o cenário exige. Não é possível ser negligente”.
