O agronegócio brasileiro acompanha com expectativa os próximos passos do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, cuja assinatura oficial é esperada para o sábado, dia 17, em Assunção, no Paraguai, após a ratificação do texto pelos embaixadores europeus.
A expectativa do setor é de impactos relevantes sobre a produção e o comércio exterior. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que, até 2040, o acordo poderá gerar um aumento de cerca de 2% na produção do agronegócio brasileiro, o que representa aproximadamente US$ 11 bilhões em ganhos para o setor.
Segundo o levantamento, quase 75% desse crescimento deve se concentrar em quatro segmentos: carnes de suínos e aves, outros produtos alimentares como pescado e preparações industrializadas, óleos e gorduras vegetais e a pecuária, com a exportação de gado em pé. Entre esses, apenas o segmento de carnes de aves e suínos tende a se beneficiar diretamente da ampliação de cotas de exportação, enquanto áreas como carne bovina, açúcar e arroz processado devem registrar efeitos mais limitados.
A avaliação é de que o acordo traz mudanças estruturais no comércio entre o Brasil e a União Europeia, ao mesmo tempo em que impõe restrições por meio de cotas, salvaguardas e exigências sanitárias e ambientais. Por outro lado, a abertura do mercado europeu tende a favorecer a importação de tecnologias e insumos, aumentando a competitividade de alguns elos do agronegócio.
No curto prazo, os maiores ganhos devem ocorrer nos setores que conseguem atender às exigências regulatórias europeias e aproveitar os espaços criados pelas novas regras comerciais, especialmente nas cadeias ligadas a alimentos processados, proteínas animais e produtos da sociobiodiversidade agrícola.
