Acordo Mercosul-UE pode elevar produção do agro brasileiro

Estimativa do Ipea aponta ganhos de até US$ 11 bilhões até 2040

Luiz Eduardo Souza
Produtores já cadastrados podem acessar o Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal (Sisdaf) durante a campanha para incluir a cultura da soja, informar a área plantada e responder às perguntas relacionadas ao plantio. (Foto: Idaf/Secom)

O agronegócio brasileiro acompanha com expectativa os próximos passos do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, cuja assinatura oficial é esperada para o sábado, dia 17, em Assunção, no Paraguai, após a ratificação do texto pelos embaixadores europeus.

A expectativa do setor é de impactos relevantes sobre a produção e o comércio exterior. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que, até 2040, o acordo poderá gerar um aumento de cerca de 2% na produção do agronegócio brasileiro, o que representa aproximadamente US$ 11 bilhões em ganhos para o setor.

Segundo o levantamento, quase 75% desse crescimento deve se concentrar em quatro segmentos: carnes de suínos e aves, outros produtos alimentares como pescado e preparações industrializadas, óleos e gorduras vegetais e a pecuária, com a exportação de gado em pé. Entre esses, apenas o segmento de carnes de aves e suínos tende a se beneficiar diretamente da ampliação de cotas de exportação, enquanto áreas como carne bovina, açúcar e arroz processado devem registrar efeitos mais limitados.

A avaliação é de que o acordo traz mudanças estruturais no comércio entre o Brasil e a União Europeia, ao mesmo tempo em que impõe restrições por meio de cotas, salvaguardas e exigências sanitárias e ambientais. Por outro lado, a abertura do mercado europeu tende a favorecer a importação de tecnologias e insumos, aumentando a competitividade de alguns elos do agronegócio.

No curto prazo, os maiores ganhos devem ocorrer nos setores que conseguem atender às exigências regulatórias europeias e aproveitar os espaços criados pelas novas regras comerciais, especialmente nas cadeias ligadas a alimentos processados, proteínas animais e produtos da sociobiodiversidade agrícola.

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