Vistoria

Imprensa é impedida de acompanhar vistoria em frigorífico

Acusado de despejar dejetos industriais onde Saneacre capta água para abastecer Senador Guiomard, empresário não autoriza registro da ação de órgãos públicos

Por Itaan Arruda ·
Registro do trabalho de vistoria foi impedido. (Foto: Kennedy Santos)

Atendendo à recomendação da promotora de Justiça Diana Soraia Pimentel, engenheiros do Imac e integrantes do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público do Acre foram à sede do frigorífico Frigomarcas, em Senador Guiomard, para realizar uma vistoria. O trabalho de fiscalização foi confirmado pela própria presidência do Imac, por telefone na noite desta terça-feira (3).

A empresa é acusada de despejar dejetos industriais no local onde a Saneacre capta água para abastecer o município de Senador Guiomard. Saneacre é a autarquia do Estado responsável pelo abastecimento de água e pela política de saneamento básico no interior do Estado. Foi a direção da própria autarquia que fez a denúncia junto ao MP.

A imprensa foi impedida pela direção da empresa de entrar e acompanhar os trabalhos. Os agentes públicos que cumpriam uma recomendação do órgão de fiscalização da legislação ambiental não tiveram o trabalho registrado. Apenas a imprensa oficial teve acesso.

De acordo com o Diário Oficial de terça-feira (3), em despacho da promotora Diana Soraia Pimentel, foi constatado que o frigorífico estava operando acima da capacidade de abate. Pelo documento publicado no Diário Oficial desta terça-feira (3), “a análise técnica ministerial apurou abate em quantitativo substancialmente superior ao limite estabelecido na licença ambiental”.

O MP tem como referência das GTA (Guias de Trânsito Animal e os dados do Sistema de Defesa Agropecuária e Florestal (Sisdaf). Segundo o MP, esses dados “demonstram que, em 35,06% dos dias analisados, o frigorífico operou acima da capacidade máxima de 670 cabeças/dia autorizada na Licença de Operação n. 000465/2026, com picos que alcançaram 1.236 cabeças/dia, o que representa extrapolação de até 84% em relação ao limite licenciado”.

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