Indústria

Indústria do Norte registra queda expressiva

Levantamento do IBGE aponta retração de 0,6% na produção industrial em relação a julho; Pará e Amazonas tiveram os maiores recuos entre os estados pesquisados

Por Redação ·
Setor industrial sete os efeitos dos juros altos. (Foto: © CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados)

A produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto de 2026, na comparação com julho, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal Regional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi acompanhado por quedas em dez dos 15 locais pesquisados, com destaque para Pará e Amazonas, dois estados da Região Norte que registraram retrações de 7,3% e 5,7%, respectivamente.

Na comparação com agosto de 2025, a indústria nacional apresentou queda de 1,2%. Nesse indicador, 12 dos 18 locais pesquisados tiveram redução na produção. O Pará registrou o pior resultado do país, com retração de 19,8%, seguido pelo Maranhão, com queda de 11,2%.

O levantamento também mostra que a indústria brasileira acumulou crescimento de 0,8% de janeiro a agosto de 2026. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão foi de 0,6%, indicando um avanço moderado da atividade industrial no país.

Desempenho industrial no Norte

Além do Pará e do Amazonas, os resultados de outros estados mostram diferenças no comportamento da indústria brasileira. No Amazonas, apesar da queda mensal de 5,7%, a produção ficou 0,5% acima do resultado de agosto do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o estado registrou retração de 2,5%, enquanto o indicador dos últimos 12 meses apresentou queda de 1%.

No Pará, o cenário foi mais negativo. Além da retração mensal de 7,3%, o estado acumulou queda de 5,4% entre janeiro e agosto e de 5,7% nos últimos 12 meses. Na comparação anual, a redução chegou a 19,8%.

Segundo o IBGE, o resultado paraense foi influenciado principalmente pelo desempenho das indústrias extrativas, incluindo atividades ligadas à produção e ao beneficiamento de minérios de ferro, cobre e manganês.

Os números mostram que a atividade industrial apresenta comportamentos distintos entre os estados do Norte. Entretanto, os indicadores não representam diretamente o desempenho de toda a economia regional nem permitem concluir que a produção agropecuária tenha seguido a mesma tendência.

Efeitos sobre o agronegócio

Embora a pesquisa tenha como foco a indústria, os resultados ajudam a contextualizar o ambiente econômico de setores que mantêm relações com o agronegócio, especialmente nas atividades de processamento de alimentos e transformação de matérias-primas.

A indústria de produtos alimentícios, por exemplo, integra a cadeia que conecta a produção rural ao beneficiamento, à fabricação de alimentos e à comercialização. O desempenho desse segmento pode influenciar a demanda por matérias-primas agropecuárias, a atividade de agroindústrias e a geração de valor ao longo da cadeia produtiva.

No Maranhão, a queda industrial de 11,2% na comparação anual foi influenciada, entre outros fatores, pelo comportamento da indústria de produtos alimentícios, além da metalurgia e das indústrias extrativas. Entre as atividades mencionadas pelo IBGE estão carnes bovinas frescas, refrigeradas ou congeladas, produtos de padaria e confeitaria, sobremesas prontas e farinha de trigo.

Esse resultado, contudo, não significa necessariamente uma redução equivalente na produção agropecuária do estado. A pesquisa mede a atividade industrial, e não o volume produzido nas propriedades rurais.

Resultados positivos em outros estados

Enquanto parte dos estados registrou retração, outros apresentaram crescimento. Na comparação mensal, a Bahia teve a maior expansão, de 3,7%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 1,1%, e por Paraná e Mato Grosso, ambos com avanço de 1%.

Na comparação com agosto de 2025, os maiores crescimentos foram observados no Rio de Janeiro, com 8,3%, e no Espírito Santo, com 8%. O Mato Grosso do Sul também registrou resultado positivo, de 3,8%.

No acumulado de janeiro a agosto, Pernambuco apresentou crescimento de 13,9%, enquanto o Espírito Santo avançou 17,7%. No indicador dos últimos 12 meses, o Espírito Santo teve a maior expansão entre os locais listados, de 19,4%, seguido por Pernambuco, com 10%.

Esses resultados reforçam a diferença de desempenho entre as economias estaduais e entre os segmentos industriais.

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