O rebanho bovino brasileiro caiu pelo segundo ano consecutivo em 2025, segundo dados da Pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O efetivo recuou 1,7% em relação a 2024 e chegou a 234,3 milhões de cabeças, o menor número desde 2022.
De acordo com o IBGE, a redução está relacionada ao aumento do abate de bovinos nos últimos quatro anos, principalmente de fêmeas. Mesmo com a retração nacional, a produção pecuária brasileira alcançou um novo recorde no ano passado, com valor estimado em R$ 141,2 bilhões, crescimento de 6,2% em relação a 2024.
O levantamento mostra que o Nordeste foi a única região brasileira a registrar aumento do rebanho bovino. O efetivo chegou a 37,3 milhões de cabeças, alta de 2,2%. No Norte, a queda foi de 1,8%, para 63,4 milhões de animais.
O Centro-Oeste continua concentrando o maior rebanho do país, com 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 30,8% do total nacional. A região, porém, registrou redução de 3,7% no efetivo, a terceira queda consecutiva.
Entre os municípios, São Félix do Xingu, no Pará, manteve a liderança nacional, com 2,7 milhões de bovinos. Corumbá, em Mato Grosso do Sul, aparece em seguida, com 2,2 milhões, enquanto Porto Velho, em Rondônia, registrou 1,7 milhão de cabeças.
Valor da produção bate recorde
Apesar da redução do rebanho, o valor da produção da pecuária atingiu o maior resultado da série em 2025. Os produtos de origem animal movimentaram R$ 128 bilhões, alta de 5,6%, enquanto a aquicultura respondeu por R$ 13,2 bilhões, crescimento de 12,5%.
A produção de leite de vaca foi o principal componente desse resultado, com valor de R$ 89,5 bilhões, equivalente a 63,4% do total. Na sequência aparecem os ovos de galinha, com R$ 36,4 bilhões, e o mel, com R$ 1,2 bilhão.
A produção de leite também atingiu recorde. Foram 36,7 bilhões de litros em 2025, crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior. O resultado ocorreu mesmo com a redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que caiu para 14,7 milhões de animais.
A produtividade alcançou 2.498,7 litros por vaca ao ano, alta de 5,6%. Segundo o IBGE, o resultado está relacionado a condições climáticas favoráveis, investimentos em genética e manejo e à reorganização da base produtiva.
O município de Castro, no Paraná, liderou a produção nacional de leite, com 532,8 milhões de litros, seguido por Carambeí, também no Paraná, com 306,8 milhões, e Patos de Minas, em Minas Gerais, com 249,2 milhões.
Ovos e criação de aves também têm recordes
O efetivo de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças em 2025, crescimento de 1,6%. Dentro desse grupo, o número de galinhas alcançou 293,3 milhões, alta de 5,8%, ambos os resultados recordes.
A produção de ovos de galinha também atingiu o maior volume da série histórica, com 5,7 bilhões de dúzias. O valor gerado chegou a R$ 36,4 bilhões, aumento de 13,9%.
Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, liderou os rankings de galináceos, galinhas e produção de ovos. O município tinha 18,4 milhões de galináceos e 15,1 milhões de galinhas em 2025.
Caprinos, ovinos e mel alcançam máximas
A criação de caprinos e ovinos também registrou recordes. O país chegou a 13,5 milhões de caprinos, alta de 1,2%, e 22,3 milhões de ovinos, crescimento de 1,6%.
O Nordeste concentra a maior parte desses rebanhos, com 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos. Casa Nova, na Bahia, lidera os dois efetivos em nível municipal.
A produção de mel cresceu 4,5% e chegou a 71,3 mil toneladas, maior volume já registrado pelo levantamento e o oitavo recorde consecutivo. Santa Luzia do Paruá, no Maranhão, foi o município com maior produção.
Aquicultura mantém crescimento
A aquicultura também apresentou resultados positivos. A produção brasileira de camarão chegou a 172,4 mil toneladas em 2025, alta de 18,2% e novo recorde. O valor da produção alcançou R$ 3,6 bilhões.
O Nordeste responde por 99,7% da produção nacional de camarão, com destaque para Ceará e Rio Grande do Norte. Aracati, no Ceará, foi o maior produtor municipal, com 21,3 mil toneladas.
Na produção de peixes, o crescimento foi de 7,1%, alcançando 783 mil toneladas e R$ 8,5 bilhões em valor de produção. A tilápia representou 68,2% do volume, com 533,7 mil toneladas.
Morada Nova de Minas, em Minas Gerais, liderou a produção municipal de peixes, com 32,4 mil toneladas. O Paraná foi o principal produtor de tilápia do país, responsável por 39,2% da produção nacional.
A produção de ostras, vieiras e mexilhões também cresceu. Foram 9,9 mil toneladas em 2025, alta de 3,3%, movimentando R$ 135,2 milhões.
Os dados fazem parte da PPM, pesquisa realizada anualmente pelo IBGE para acompanhar os principais efetivos de animais criados no país e a produção de leite, ovos, mel, lã, casulos do bicho-da-seda e produtos da aquicultura.