O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) vai promover, entre os dias 19 e 23 de outubro, em Cruzeiro do Sul, uma capacitação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do cacau e às ações de defesa agropecuária no Vale do Juruá. O treinamento terá como foco o manejo da monilíase, o beneficiamento do cacau e o processamento de derivados e chocolates artesanais.
As atividades serão direcionadas a produtores rurais do Ramal 12, em Cruzeiro do Sul, e a técnicos de instituições parceiras, como Senar/AC, Seagri/AC, Emater/AC, Sebrae/AC e Ipam de Cruzeiro do Sul. O tema do encontro será “Defesa sanitária, Manejo e Processamento de Alimentos no Vale do Juruá”.
A capacitação ocorre em um momento de atenção para a produção de cacau e cupuaçu na região devido à presença da monilíase, doença causada pelo fungo Moniliophthora roreri. Considerada uma praga quarentenária, a doença ataca os frutos e pode reduzir a produção e comprometer a qualidade comercial das amêndoas.
O primeiro foco registrado da doença no Brasil foi identificado em 2021, na região do Juruá. Desde então, o IDAF, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e outras instituições, mantém ações de vigilância, levantamento fitossanitário, saneamento de focos, fiscalização do trânsito vegetal e orientação aos produtores.
Os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter estão submetidos a medidas de quarentena previstas na legislação federal. Em julho deste ano, a Portaria SDA/MAPA nº 939 prorrogou a vigência da emergência fitossanitária no Acre, reforçando a necessidade de continuidade das ações de prevenção e controle.
Durante os cinco dias de capacitação, os participantes terão atividades relacionadas à poda, manejo da monilíase e beneficiamento primário do cacau, incluindo práticas de fermentação, secagem, armazenamento e classificação das amêndoas.
Outra frente do treinamento será o processamento de derivados do cacau e de frutas regionais, com produção de chocolates artesanais e aplicação de boas práticas de fabricação. A proposta é ampliar as possibilidades de aproveitamento da produção e contribuir para a agregação de valor aos produtos cultivados no estado.
Biossegurança
Por ocorrer em uma região submetida à quarentena fitossanitária, o IDAF estabeleceu protocolos específicos de biossegurança para os participantes. As medidas incluem restrições ao transporte de material vegetal, higienização de roupas, calçados e equipamentos, além do controle da entrada de ferramentas utilizadas nas atividades de campo.
As atividades práticas serão realizadas exclusivamente em áreas de produção sem incidência da praga. Após o treinamento, os participantes deverão adotar procedimentos de desinfecção das roupas e equipamentos utilizados no campo.
O órgão também determina que os participantes não visitem áreas produtoras de cacau e cupuaçu em seus locais de origem pelo período mínimo de 30 dias após o evento, como forma de reduzir o risco de disseminação do fungo.
A confirmação dos nomes e cargos dos participantes das instituições parceiras deverá ser encaminhada ao IDAF até 5 de outubro.