A atuação da Embrapa no enfrentamento à vassoura-de-bruxa da mandioca, doença causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, tem mobilizado pesquisadores, autoridades e produtores rurais na região Norte. O tema foi discutido em reunião realizada na última terça-feira (14), em Macapá (AP), entre representantes da instituição e do Ministério Público do Estado do Pará.
Classificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como praga quarentenária presente — ou seja, com ocorrência restrita e sob controle oficial —, a doença foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2024, a partir de análises conduzidas por equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura. As amostras foram coletadas em áreas indígenas no município de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa.
Desde então, a Embrapa intensificou as ações de pesquisa e transferência de tecnologia, com visitas técnicas em áreas de produção de mandioca no Amapá e no norte do Pará, além da coleta de materiais para análises laboratoriais. Os estudos incluem testes com diferentes cultivares — inclusive variedades tradicionais de origem indígena — em busca de resistência à doença.
Também estão sendo desenvolvidas soluções voltadas ao controle fitossanitário, como o uso de câmaras térmicas e técnicas de limpeza e sanitização de manivas-semente, visando reduzir a disseminação do fungo entre as lavouras.
Emergência fitossanitária e ações de controle
Diante do risco de disseminação, o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou, em janeiro de 2025, estado de emergência fitossanitária para os estados do Amapá e Pará. Na sequência, em março do mesmo ano, foi criado o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Vassoura-de-Bruxa-da-Mandioca, além da instalação do Centro de Operações de Emergência Agropecuária.
As ações contam com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que financia parte das pesquisas e iniciativas de combate à praga.
Segundo a Embrapa, o enfrentamento da doença exige uma atuação integrada entre instituições de pesquisa, órgãos de defesa agropecuária, assistência técnica e produtores rurais. A cooperação é considerada essencial para garantir medidas eficazes de contenção, manejo e controle da praga.
Risco à produção de mandioca
A mandioca é uma das principais culturas agrícolas da região Norte, base da alimentação e da renda de milhares de famílias. A presença do fungo representa um risco significativo, já que a doença pode comprometer o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade das lavouras.
Até o momento, o Rhizoctonia theobromae não foi identificado em outros hospedeiros no Brasil, mas o alerta permanece devido ao potencial de disseminação.
A identificação inicial da praga em terras indígenas de Oiapoque reforça a necessidade de atenção especial às áreas de fronteira e de difícil acesso, onde o monitoramento e o controle podem ser mais desafiadores.
O avanço das pesquisas e das ações de campo será decisivo para evitar que a vassoura-de-bruxa da mandioca se espalhe para outras regiões produtoras do país, garantindo a segurança alimentar e a sustentabilidade da cadeia produtiva.
