Saída de 91,5 mil bovinos vivos: 53,67% destinados ao mesmo proprietário

De acordo com o Departamento Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, o primeiro trimestre de 2026 teve aumento de 30,84% comparado ao mesmo período de 2025, que já foi um ano atípico

Itaan Arruda

O Boletim da Pecuária Bovina do Acre (Março-2026), elaborado pelo Departamento Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), informa que houve aumento de 30,84% na saída de bovinos vivos no primeiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano passado. Isso resulta, de acordo com o boletim, em exatos 91.505 animais.

Outro ponto chama atenção em relação a essa saída. Ainda de acordo com o periódico, 53,67% dos animais que saíram do Acre foram destinados ao mesmo proprietário. É um percentual que não colabora com a tese de que a saída de gado “beneficia o pequeno pecuarista”. O número sugere que, na prática, esse benefício está concentrado.

Estratégia_ Uma estratégia muito usada por especuladores é comprar uma pequena propriedade rural, com 40, 50 hectares em uma determinada região produtora de bezerros. Ao fazer isso, o especulador passa a ser um “produtor rural” daquela região. O problema é que a movimentação de gado que aquela propriedade realiza é muito além da capacidade da área de receber e manter tantos animais. Essa é uma prática já conhecida das autoridades. Não é novidade.

Com uma área formalizada aqui no Acre, ele transfere milhares de cabeças de gado para outro estado sem pagar impostos, conforme permite a legislação. O que ainda não se conseguiu comprovar foi a realização desse esquema aqui no Acre. Transferir gado para outro estado para um mesmo proprietário ou empresa (CPF ou CNPJ) não é crime

Conforme reportagem publicada no dia 10 de abril no site Compre Rural, um grupo criminoso realizou esquema de comercialização irregular de gado em Rondônia. Cerca de 30 mil cabeças teriam sido comercializadas de forma fraudulenta trazendo prejuízos que ultrapassaram R$ 44 milhões aos cofres públicos. Uma operação envolvendo Sefaz/RO, MP/RO e Polícia Civil revelou o esquema envolvendo também integrantes do grupo no estado do Mato Grosso. Só em sonegação de ICMS a cifra chega aos R$ 7 milhões, revelou o site.

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