O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) apresentou dados expressivos sobre o avanço da sanidade animal no estado. Entre 2019 e 2025, a adesão dos produtores rurais à vacinação contra a brucelose saltou de 55% para expressivos 94%, consolidando o Acre como uma referência na pecuária nacional. Os dados foram detalhados pelo coordenador estadual do programa, Jean Torres, durante coletiva de imprensa.
Estratégia e Educação no Campo
O aumento significativo na cobertura vacinal é fruto de uma mudança de estratégia do Idaf, baseada em dois pilares principais: a educação em saúde animal e a comunicação de massa. Segundo Torres, o foco deixou de ser apenas a fiscalização e passou a ser a conscientização sobre o retorno financeiro.
“Levamos conhecimento ao produtor para mostrar que a vacina diminui os prejuízos causados pela doença a nível de campo. Quando o produtor entende que ele é o principal ativo nesse controle, a adesão acontece naturalmente”, explicou o coordenador. A utilização de redes sociais, rádio e televisão também foi crucial para aproximar o instituto do homem do campo.
Foco Regional: O Desafio do Alto Acre e Áreas Remotas
Atualmente, a maior concentração de rebanho do estado está localizada na região do Alto Acre. Em números absolutos, o estado monitora um rebanho de fêmeas que ultrapassa a marca de 586 mil cabeças, sendo que 283 mil são bezerras na faixa etária de 0 a 12 meses.
Para o ciclo de 2026, o desafio do Idaf é atingir os produtores mais “longínquos”. O planejamento estratégico prevê ações intensificadas em municípios que ainda apresentam índices abaixo de 80%, como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. A meta é superar os 94% atuais e buscar a cobertura total do rebanho.
Saúde Pública e Credibilidade Econômica
A vacinação contra a brucelose é obrigatória para bezerras bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses. A doença é uma zoonose grave, podendo ser transmitida aos seres humanos através do consumo de carne ou leite contaminados.
Além do fator saúde, a vacinação é o que garante a “credibilidade sanitária” do Acre perante o mercado nacional e internacional. Sem a cobertura adequada, o setor pecuarista corre riscos de restrições comerciais e quedas severas na produtividade.
O Idaf reforça que o produtor deve manter a vacinação em dia e realizar a declaração obrigatória junto ao órgão para evitar multas e restrições no trânsito de animais.