A Companhia Nacional de Abastecimento projeta que o Brasil deve colher 353,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, um novo recorde histórico. Apesar do crescimento na produção, o cenário do agro brasileiro é marcado por desafios que vão desde problemas climáticos até aumento de custos e gargalos logísticos — ao mesmo tempo em que o chamado Arco Norte consolida sua posição como rota estratégica de exportação.
Um dos principais destaques do levantamento é o avanço dos portos do Norte do país. No caso do milho, 40,8% das exportações brasileiras entre janeiro e fevereiro de 2026 ocorreram por portos do Arco Norte, crescimento significativo em relação aos 30,6% registrados no mesmo período do ano passado. Já na soja, a participação chegou a 38,4%, também acima do observado em 2025.
Portos como Porto de Barcarena, Porto de Santarém e Porto de Itaqui têm ampliado sua relevância no escoamento da produção, impulsionados pela menor distância até mercados internacionais e pela expansão da infraestrutura logística. O movimento reposiciona o Norte como peça-chave no agronegócio nacional e reduz a dependência histórica de portos do Sul e Sudeste, como Porto de Santos e Porto de Paranaguá.
Apesar do avanço logístico, o excesso de chuvas em regiões do Norte e Nordeste tem imposto dificuldades à colheita e ao transporte da produção. Em áreas produtoras, as precipitações frequentes atrasam os trabalhos no campo e dificultam o escoamento, criando gargalos operacionais justamente no momento de maior demanda por transporte.
Esse cenário impacta diretamente o ritmo da safra, especialmente da soja, que já teve cerca de metade da área colhida, e também interfere no plantio da segunda safra de milho. O atraso na colheita da oleaginosa encurta a janela ideal para o plantio do cereal, elevando os riscos para a produtividade e podendo reduzir a área cultivada em algumas regiões.
Mesmo com a expectativa de produção recorde — com destaque para a soja, que pode atingir 177,8 milhões de toneladas —, o produtor brasileiro enfrenta um ambiente de rentabilidade pressionada. A queda nos preços internacionais, influenciada por fatores como oscilações no mercado externo e aumento da oferta, somada aos custos elevados de insumos e fretes, tem reduzido as margens no campo.
No mercado interno, a combinação de preços mais baixos dos grãos, prêmios de exportação em queda e custos operacionais elevados preocupa o setor. A avaliação é de que esse cenário pode desacelerar o ritmo de expansão da produção nos próximos ciclos, impactando decisões de plantio e investimentos.
Além disso, o transporte segue como um dos principais pontos de atenção. A alta demanda por fretes durante o período de escoamento da safra, aliada ao aumento no preço do diesel e a fatores regulatórios, tem mantido os custos logísticos elevados em diversas regiões do país.
Mesmo diante dos desafios, o fortalecimento do Arco Norte surge como uma das principais transformações estruturais do agro brasileiro. A tendência é de que a região continue ampliando sua participação nos próximos anos, consolidando-se como corredor estratégico tanto para exportações quanto para a entrada de insumos, como fertilizantes.
O cenário, portanto, combina crescimento produtivo com desafios logísticos e econômicos, indicando que o desempenho do agronegócio brasileiro dependerá cada vez mais da eficiência na infraestrutura e da capacidade de adaptação às condições de mercado e clima.
