Dados do IBGE mostram que é mito “café ter ‘roubado’ área da mandioca”

De acordo com os dados apresentados na pesquisa Produção Agrícola Municipal, há variação, mas não no volume que justifique escassez de mandioca no mercado ou aumento no preço da ordem de mais de 8%, como registrou a Seplan em recente análise do preço da cesta básica

Itaan Arruda

Os números da pesquisa Produção Agrícola Municipal entre os anos de 2020 e 2024 mostram que houve aumento da área colhida de café no Acre. No mesmo período, houve redução da área colhida de mandioca. No entanto, não é possível relacionar diretamente o aumento da área colhida em uma cultura com a diminuição da outra.

Outro detalhe: há oscilação da área colhida de café (como se vê na tabela), chegando a uma depressão de 999 hectares colhidos em 2022 e 993 em 2023, anos de consequências do contexto da pandemia de Covid-19. Essas oscilações também foram acompanhadas pela área colhida de mandioca. Sem contar outro detalhe: ainda é muito grande a diferença da área dedicada à cultura da mandioca em relação à cultura do café.

O que existe é uma valorização do café no cenário brasileiro e mundial e uma superexposição midiática. E isso acaba influenciando muito a composição dos preços nos diversos momentos da cadeia produtiva cafeeira.

A Secretaria de Estado de Planejamento divulgou semana passada o custo da cesta básica para o trabalhador na Capital referente ao mês de fevereiro de 2026. Chegou-se ao preço de R$ 681,70. Feijão (7,10%) e mandioca (8,15%) foram os ítens que mais subiram. É sabido que o Acre não é autossuficiente na produção de feijão. Importa muito de São Paulo e Paraná. Mas a produção de mandioca é diferente.

O Acre é autossuficiente na produção da mandioca, embora a cadeia produtiva seja muito desqualificada, com pouca agregação de valor. A maior parte é transformada em farinha de mandioca. É o máximo que a indústria regional consegue beneficiar. Não há investimentos e, consequentemente, não há inovação na cadeia produtiva da mandioca há muito tempo na região.

A mandioca é um dos produtos com maior potencial de crescimento na região, mas isso ainda não tem resultado em ações práticas, nem por parte dos governos e nem por parte da iniciativa privada.

Esse mito de que o café “roubou” área da mandioca fica mais evidente se for observado o dado de 2025.

De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, referente a dezembro de 2025, mostra que o café canephora foi colhido em 1.926 hectares no Acre, enquanto a mandioca foi colhida em 21.734 hectares. Em 2026, a estimativa é de que o canephora seja colhido em 1.988 hectares e a mandioca em 21.834. A área de mandioca tem previsão de aumento neste ano.

O que não está acontecendo com a mandioca é valorização da cadeia produtiva. Os números mostram que há perspectiva de aumento de área plantada. Pequeno (100 hectares), mas ainda assim um aumento.

🌾 Área colhida (hectares) — Café ☕ & Mandioca 🥔 (2020–2024)

Fonte: Produção Agrícola Municipal
☕ Café (linha, eixo direito) — 🥔 Mandioca (barras, eixo esquerdo)
Ano Café (ha) Mandioca (ha)
20201.00324.720
20211.01723.000
202299921.895
202399321.565
20241.11521.865
Fonte: Produção Agrícola Municipal

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