As exportações brasileiras de café começaram 2026 em ritmo mais lento. Nos dois primeiros meses do ano, o país embarcou 5,410 milhões de sacas de 60 kg, volume 27,3% menor que o registrado no mesmo período de 2025.
De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, apenas em fevereiro foram exportadas 2,618 milhões de sacas, queda de 23,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. A receita cambial no período chegou a US$ 1,062 bilhão.
Considerando todo o primeiro bimestre, o faturamento com as vendas externas totalizou US$ 2,241 bilhões, valor 13% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, quando as exportações geraram US$ 2,575 bilhões.
Segundo o Cecafé, a retração está relacionada principalmente ao desempenho do café arábica, cujas cotações vêm sofrendo pressão na Bolsa de Nova York. Fundos de investimento têm reduzido posições no mercado diante da expectativa de maior oferta na próxima safra.
Outro fator apontado é a valorização do real frente ao dólar, além da comercialização mais gradual por parte dos produtores brasileiros, que iniciaram o ano capitalizados. Esse cenário tem reduzido a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.
“O cenário deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de participação do Brasil para outras origens produtoras”, avaliou o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
Principais destinos
Entre os principais compradores do café brasileiro, a Alemanha liderou as importações no primeiro bimestre, com 786.589 sacas, o equivalente a 14,5% do total exportado, embora o volume represente queda de 20,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 655.998 sacas, registrando a maior retração entre os principais destinos, com queda de 45,8%.
Na sequência estão Itália, com 568.598 sacas e crescimento de 5,9%, Bélgica, com 331.747 sacas (-6,8%), e Japão, com 315.816 sacas (-34,5%).
