O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% em janeiro de 2026, repetindo o mesmo percentual observado em dezembro de 2025. Em janeiro do ano passado, o índice havia sido de 0,16%. Apesar da aceleração na comparação anual, o resultado ficou abaixo da média histórica para o mês nos últimos cinco anos, que é de 0,58%.
No acumulado de 12 meses até janeiro, a inflação oficial do país soma 4,44%.
O grupo Alimentação e Bebidas desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro, contribuindo com 0,05 ponto percentual para o índice geral. A Alimentação no Domicílio também perdeu ritmo, passando de 0,14% para 0,10%. Entre os produtos que registraram queda de preços estão leite longa vida (-5,59%), ovo de galinha (-4,48%), óleo de soja (-3,32%), arroz (-1,55%) e frango em pedaços (-1,41%).
Por outro lado, alguns itens pesaram no bolso do consumidor, como tomate (20,52%), cenoura (9,94%), maçã (3,94%), pescados (2,77%) e carnes (0,84%). Já a alimentação fora do domicílio avançou 0,55% no mês.
Combustíveis pressionam
O grupo Transportes teve o maior impacto no IPCA de janeiro, com alta de 0,60% e contribuição de 0,12 ponto percentual no índice geral. O resultado reflete principalmente o aumento nos combustíveis: etanol (3,54%), gasolina (2,06%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).
Saúde e Cuidados Pessoais foi o segundo maior impacto do mês, com alta de 0,70% e influência de 0,10 ponto percentual.
Em contrapartida, o grupo Habitação registrou queda de 0,11%, puxado pela redução de 2,73% na energia elétrica residencial, devido à vigência da bandeira tarifária verde. Em dezembro, a bandeira amarela adicionava custo extra à conta de luz. Vestuário também apresentou leve queda, mas com impacto reduzido no índice geral.
O que muda para o produtor?
Para o setor agropecuário, os efeitos são mistos. A redução no preço da energia elétrica pode aliviar custos em atividades intensivas em consumo energético, como irrigação, climatização de aviários, resfriamento de leite, bombeamento e circulação de água.
Por outro lado, a alta dos combustíveis pressiona diretamente os custos dentro e fora da porteira, elevando despesas com máquinas, transporte da produção e logística de insumos.
Além disso, o cenário inflacionário influencia a política monetária. O Banco Central sinalizou na última ata do Copom a possibilidade de corte na taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião, prevista para março. No entanto, um IPCA mais resistente pode resultar em uma redução menor do que a esperada, impactando o custo do crédito rural.
Preços dos alimentos no mundo
No cenário internacional, o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) registrou média de 123,9 pontos em janeiro, abaixo dos 124,3 pontos observados em dezembro.
A queda foi puxada principalmente pelos recuos nos preços de laticínios, carnes e açúcar. No caso da carne suína, a retração compensou a estabilidade da carne bovina e a alta da carne de aves. A oferta abundante na União Europeia e a demanda internacional mais fraca influenciaram o mercado. Já o redirecionamento das exportações brasileiras de carne bovina para a China ajudou a conter pressões adicionais nos preços.
Os lácteos recuaram pelo sétimo mês consecutivo, diante da maior oferta global. O açúcar também sofreu pressão com a expectativa de aumento da produção mundial.
Em contrapartida, os preços internacionais dos óleos vegetais subiram, impulsionados pela menor oferta sazonal no Sudeste Asiático e pela forte demanda global, inclusive para biocombustíveis. Os cereais também tiveram alta, com destaque para o trigo, em meio a vendas expressivas da Austrália e do Canadá.
O cenário indica um ambiente ainda desafiador para o produtor rural, que precisa equilibrar custos internos pressionados pelos combustíveis com um mercado internacional marcado por oscilações nos preços das principais commodities agrícolas.
