A rentabilidade da soja no principal estado produtor do país enfrenta pressão neste início de ano, em meio ao avanço da colheita e à oscilação dos preços no mercado interno. A avaliação é de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, ao analisar o cenário em Mato Grosso.
No estado, a colheita já supera 50% da área plantada, com relatos de produtividade positiva até o momento. Apesar do bom desempenho no campo, a retração das cotações em reais tem impactado diretamente as margens do produtor. Desde o começo do ano, os preços acumulam queda relevante, reduzindo a lucratividade do sojicultor.
Em maio do ano passado, considerando os valores projetados para embarque em fevereiro de 2026, a margem estimada era de aproximadamente 23%. Ao longo dos meses, esse percentual foi sendo revisado para baixo, atingindo agora o menor nível da temporada. O principal fator para essa redução é o recuo nas cotações da oleaginosa.
Como o custo de produção já estava definido antes do início da colheita, e a produtividade praticamente consolidada, a única variável capaz de alterar o resultado final da safra é o preço de venda. Produtores que travaram contratos antecipadamente garantiram margens superiores às daqueles que optaram por negociar no mercado atual, refletindo a diferença nas cotações.
Ainda resta cerca de metade da produção do estado a ser comercializada. O comportamento do mercado nos próximos meses será determinante para o fechamento da temporada. Além disso, após a colheita e o armazenamento, passa a pesar o custo de carrego — fator considerado estratégico na definição do melhor momento de venda e, consequentemente, na preservação da rentabilidade.
