Cacau despenca nas bolsas internacionais e atinge menor nível desde 2023

Estoques elevados na Costa do Marfim e aumento de oferta pressionam contratos na ICE

Redação
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O preço do cacau registrou forte queda na última quarta-feira (18) e atingiu o menor nível desde meados de 2023, com recuo intradiário de até 10% nas bolsas internacionais. A desvalorização ocorre em meio a relatos de estoques elevados na Costa do Marfim, maior produtora global da commodity, e pressão adicional sobre os contratos futuros negociados na Intercontinental Exchange (ICE).

Em Londres, referência para a formação dos preços globais, os contratos chegaram a 2.234 libras por tonelada no início do pregão e encerraram a 2.308 libras, com queda de 6,7%. Em Nova York, os papéis tocaram US$ 3.189 por tonelada e fecharam a US$ 3.314, recuo de 4,4%.

Estoques elevados ampliam pressão

Segundo operadores, armazéns na Costa do Marfim estariam operando acima da capacidade, com filas de caminhões aguardando descarga. A lentidão nas exportações amplia a oferta disponível no mercado físico e pressiona os contratos futuros.

Analistas apontam que compradores industriais retornam gradualmente ao mercado, mas ainda sem força suficiente para sustentar as cotações. O banco Rabobank avaliou que o mercado está sem catalisadores de alta no curto prazo, citando o aumento dos estoques certificados na ICE e condições climáticas favoráveis na África Ocidental, que melhoram as perspectivas para a safra principal.

Ajustes nas políticas de países produtores

A queda nas cotações ocorre paralelamente a decisões internas nos principais países produtores. Em Gana, segundo maior fornecedor mundial, o governo reduziu em um terço o preço garantido aos agricultores, buscando estimular as vendas e liberar recursos aos produtores.

Na Costa do Marfim, há discussões sobre possível revisão do valor pago aos agricultores. No entanto, o órgão regulador local informou que manterá o preço atual até o encerramento da safra principal, previsto para 30 de março. O debate adiciona incertezas à cadeia global do chocolate e à formação dos preços internacionais.

Movimento contrário em outras commodities

Enquanto o cacau recuava, outras soft commodities registraram alta. O café arábica avançou 0,7% e o robusta subiu 1,8%. O açúcar bruto ganhou 2,2%, ampliando recuperação após mínima de cinco anos, enquanto o açúcar branco teve alta de 1,3%.

No mercado açucareiro, produtores e autoridades comerciais indicam que a Índia pode produzir menos do que o previsto devido a chuvas excessivas, o que tende a limitar as exportações do segundo maior produtor global.

Após meses de forte volatilidade, o cacau passa por um processo de ajuste, com o mercado buscando novo ponto de equilíbrio. A trajetória das cotações dependerá do ritmo das exportações africanas, da evolução climática e da retomada da demanda industrial nas próximas semanas.

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