A valorização do real frente ao dólar, aliada ao avanço de uma safra que pode ser recorde, está pressionando os preços da soja no mercado brasileiro. A média nacional da saca de 60 quilos gira atualmente em torno de R$ 110 a R$ 115, patamar inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
O movimento ocorre na contramão do mercado internacional. Na Bolsa de Chicago, as cotações acumulam alta próxima de 10% na comparação anual. A diferença é explicada principalmente pelo câmbio: com o dólar mais fraco frente ao real, o valor recebido pelo produtor brasileiro nas exportações diminui, o que pressiona as negociações internas.
Além da questão cambial, o avanço da colheita e a confirmação de uma oferta robusta ampliam o peso da oferta sobre os preços. A produção brasileira de soja no ciclo 2025/26 está estimada em 177,9 milhões de toneladas, volume 3,8% superior ao da temporada passada. Se confirmado, será um novo recorde nacional.
Com maior disponibilidade de grão no mercado e exportações impactadas pelo câmbio, o cenário tende a manter as cotações domésticas sob pressão no curto prazo, mesmo diante de fundamentos positivos no exterior.
Para o produtor, o desafio agora é equilibrar custo, estratégia de comercialização e gestão de risco em um ambiente de margens mais apertadas.
