Valorização do bezerro coloca Acre em novo patamar da pecuária, avalia presidente da Faeac

Para Assuero Veronez, foco do governo deve ser combate à evasão fiscal, enquanto mercado vive ciclo de alta do bezerro e pressão sobre o boi gordo

Luiz Eduardo Souza
Assuero Veronez, presidente da Faeac, afirma que a pecuária acreana vive um novo patamar, com valorização do bezerro, avanços em genética e manejo e desafios ligados à fiscalização e ao mercado. Foto: Iago Nascimento.

A valorização do bezerro e a evolução da pecuária colocaram o Acre em posição de destaque no cenário nacional, mas também ampliaram os conflitos entre produtores, frigoríficos e governo. Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, a discussão sobre pauta fiscal se arrasta sem solução concreta, enquanto o principal problema segue sendo a evasão fiscal na saída ilegal de animais.

Segundo Assuero, o governo estadual já demonstrou mais interesse pelo tema em momentos anteriores, mas as discussões acabam se repetindo sem uma definição clara. Para ele, não há uma diferença tão significativa nos valores da pauta que justifique tamanha preocupação. “O valor da pauta é pequeno e pouco resolve. O que o governo deveria se preocupar de fato é com a evasão fiscal, que é ilegal e não se sabe nem quanto representa”, avalia

Ele destaca que, por se tratar de uma prática irregular, não há dados concretos sobre o volume de bezerros que saem do estado sem tributação. “O que é ilegal, a gente não tem conhecimento. Por isso a fiscalização precisa ser mais rigorosa”, defende.

Ao mesmo tempo, Assuero observa um processo consistente de valorização do bezerro acreano. O estado passou a ser referência na criação desses animais, reflexo de avanços significativos na pecuária local. “A pecuária do Acre melhorou demais em todos os sentidos. A genética evoluiu, o manejo melhorou e até a indústria está mais especializada. É uma mudança muito importante”, afirma.

Esse novo cenário, segundo ele, elevou a atividade pecuária a um patamar diferenciado, consolidando-a como a principal atividade do agronegócio no estado. “Os números mostram isso. A pecuária vive um momento importante e tudo indica que esse avanço vai se manter”, destaca.

Assuero relata ainda informações de mercado que reforçam essa mudança. “Ouvi dizer que compradores de bezerros já estão indo para Roraima para adquirir animais. Isso mostra o que está acontecendo na pecuária”, comenta, ao lembrar que o Brasil se consolidou como maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, após a abertura de novos mercados internacionais.

Sobre o momento atual, ele explica que o setor vive um ciclo de alta no bezerro, enquanto o preço da arroba do boi gordo passa por um período de baixa. “Estamos em um ciclo baixo da arroba, vamos ver até onde isso vai. O bezerro, por outro lado, subiu muito”, pontua.

Na avaliação do presidente da Faeac, a eventual falta de boi gordo no estado não está relacionada à escassez de animais, mas ao preço pago pela indústria. “Não é um produto perecível. O boi está no pasto e o produtor pode esperar por melhores preços. Se o frigorífico não quer pagar bem, o produtor segura”, afirma.

Ele avalia que parte da pressão para conter a saída de bezerros está ligada a uma política industrial dos frigoríficos, que buscam mecanismos para garantir oferta futura. Por fim, Assuero pondera que o Estado não pode ser considerado omisso, embora reconheça que, em alguns momentos, o governo opte por deixar o mercado se autorregular. “Talvez seja necessário, sim, uma fiscalização mais rigorosa na saída dos animais”, conclui.

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