Em 2025, o Brasil exportou US$ 348,6 bilhões, conforme dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Desse total, o agronegócio respondeu por US$ 169,2 bilhões, o equivalente a quase metade de tudo o que o país vendeu ao exterior, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A expressiva participação do setor no comércio exterior evidencia não apenas sua relevância para a balança comercial brasileira, mas também sua forte exposição às oscilações do mercado internacional. Por operar em cadeias produtivas profundamente integradas ao comércio global, o agronegócio é particularmente sensível às variações cambiais, sobretudo à relação entre o dólar e o real.
Em um primeiro momento, a desvalorização do real tende a aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, ao tornar as exportações mais atrativas em moeda estrangeira. Essa dinâmica beneficia especialmente commodities como soja, milho, carnes, café e açúcar, cujos preços são formados no mercado internacional e cotados majoritariamente em dólar.
No entanto, a relação entre câmbio e agronegócio vai além do impacto direto sobre as exportações. A mesma valorização do dólar que melhora a receita em reais também eleva os custos de produção, já que uma parcela significativa dos insumos utilizados no campo — como fertilizantes, defensivos agrícolas, sementes e máquinas — é importada ou tem preços atrelados à moeda norte-americana.
Esse efeito duplo cria um cenário de ganhos e pressões simultâneas. Produtores e empresas do setor precisam administrar margens cada vez mais estreitas, equilibrando receitas maiores com despesas também crescentes. Além disso, a volatilidade cambial dificulta o planejamento de médio e longo prazo, influenciando decisões sobre investimentos, contratação de crédito e estratégias de comercialização.
Especialistas apontam que, diante desse contexto, instrumentos de gestão de risco, como operações de hedge cambial e contratos futuros, tornam-se cada vez mais relevantes para o agronegócio brasileiro. Ao mesmo tempo, políticas públicas voltadas à previsibilidade macroeconômica e ao acesso a crédito competitivo são vistas como fundamentais para garantir a sustentabilidade do setor.
Com quase metade das exportações brasileiras ancoradas no campo, o desempenho do agronegócio segue diretamente ligado ao comportamento do câmbio. Mais do que um fator externo, a taxa de dólar tornou-se um elemento central na dinâmica econômica do setor e, por consequência, da própria economia brasileira.
