Estudo estima perda de 1,4 bilhão de TON de carbono no solo brasileiro

Conversão de vegetação nativa para agropecuária afetou estoques de carbono nos seis biomas do país, segundo análise baseada em mais de 370 estudos

Luiz Eduardo Souza

Um estudo estimou que o Brasil perdeu cerca de 1,4 bilhão de toneladas de carbono no solo em decorrência da conversão de vegetação nativa em áreas agropecuárias. A análise considerou dados de mais de 370 estudos realizados ao longo dos últimos 30 anos nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa.

A estimativa refere-se apenas à camada superficial do solo, até 30 centímetros de profundidade, e representa a diferença entre o carbono que estaria estocado caso as áreas permanecessem com vegetação nativa e o volume atualmente presente em solos utilizados pela agropecuária. O levantamento é considerado um ponto de partida para mensurar a chamada “dívida de carbono” dos solos brasileiros, até então pouco quantificada.

A pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon), da Esalq/USP, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Embrapa. Os resultados indicam que parte do carbono perdido pode ser recuperada por meio de melhorias no manejo do solo, como a adoção de sistemas integrados de produção e o plantio direto.

Segundo o estudo, a recarbonização de aproximadamente um terço das áreas analisadas poderia contribuir para o alcance de 59% a 67% da meta brasileira de redução de emissões até 2035. A recuperação dos estoques de carbono também pode gerar créditos de carbono, abrindo oportunidades econômicas para os produtores rurais.

A análise destaca que o potencial de recuperação varia entre os biomas, em função das características climáticas, hídricas e do solo de cada região. O estudo não inclui o carbono perdido na biomassa aérea da vegetação suprimida nem em camadas mais profundas do solo, mas fornece subsídios técnicos para orientar políticas públicas, práticas de manejo sustentável e estratégias relacionadas ao mercado de carbono.

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