A cadeia produtiva do mel no Acre vem apresentando avanços consistentes e resultados expressivos, conforme diagnóstico apresentado na Nota Técnica da Cadeia Produtiva do Mel, elaborada pela equipe da Unidade de Coordenação do Programa REM Acre (UCP-REM) e Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). O estudo integra as ações do Programa REM Acre – Fase 2 e reforça o compromisso do governo do Estado com o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, capazes de gerar renda, promover inclusão social e conservar a floresta.
Inserida entre as atividades produtivas apoiadas pelo programa, a apicultura e a meliponicultura se destacam por sua compatibilidade com a floresta em pé e por seu papel estratégico na agricultura familiar. Além da geração de renda, a atividade contribui diretamente para a polinização das espécies nativas da Amazônia, fortalecendo a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.
O diagnóstico técnico, que embasa a Nota Técnica, avaliou 141 beneficiários distribuídos em 13 municípios acreanos, todos vinculados ao Programa REM Acre. Os dados confirmam a expansão da cadeia produtiva do mel em diferentes regiões do estado, atualmente com 436 beneficiários cadastrados nos territórios do Alto e Baixo Acre, Juruá e Tarauacá-Envira, superando a meta prevista pelo programa.
A apicultura com abelhas com ferrão se consolida como o principal sistema produtivo, apresentando maior escala e volumes mais expressivos de produção. A meliponicultura vem sendo fortalecida como atividade complementar, agregando valor ambiental e ampliando as possibilidades produtivas em áreas de floresta. Os dados também apontam avanços na inclusão social, com crescimento gradual da participação feminina na atividade.
A produção de mel de abelha no Acre mantém uma trajetória de crescimento contínuo e consolida a apicultura como uma atividade estratégica para o desenvolvimento rural no estado. Em 2024, foi registrada a produção de 9 toneladas de mel, volume que avançou para 12 toneladas em 2025, refletindo o fortalecimento da cadeia produtiva nos municípios.
Nesse cenário, Senador Guiomard se destaca como o maior produtor, com 3.850,20 kg, seguido por Rio Branco (3.685,70 kg) e Bujari (3.292,20 kg), que juntos concentram a maior parte da produção estadual e atuam como polos de referência. Xapuri e Plácido de Castro também apresentam desempenho expressivo, enquanto municípios como Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Mâncio Lima, Brasileia, Sena Madureira, Assis Brasil, Porto Acre, Tarauacá e Porto Walter contribuem de forma complementar para o volume total, reforçando o potencial do mel como produto representativo da sociobiodiversidade acreana.
Esse desempenho reflete os investimentos realizados pelo governo do Acre, por meio da Seagri, em parceria com o Programa REM Acre – Fase 2, que incluem assistência técnica, capacitação e monitoramento dos apiários e meliponários.
Até junho de 2025, mais de R$ 560 mil foram investidos na cadeia produtiva do mel, possibilitando a aquisição e a distribuição de insumos e equipamentos técnicos e de proteção, além da implantação de unidades de beneficiamento.
As ações incluem a entrega de caixas melíponas, kits de manejo, centrífugas e equipamentos de extração, além da realização de treinamentos voltados às boas práticas de manejo, extração e beneficiamento do mel. Mais de 180 produtores participaram de capacitações técnicas, fortalecendo a produção sustentável, a qualidade do produto acreano e a gestão das cooperativas e organizações sociais operadoras da cadeia produtiva.
Para a coordenadora-geral do Programa REM Acre, Marta Azevedo, o diagnóstico confirma que os investimentos realizados têm gerado resultados concretos no campo. “Esse diagnóstico mostra que a cadeia do mel no Acre está no caminho certo. A gente vê, na prática, que quando o produtor recebe apoio técnico, capacitação e equipamentos adequados, o resultado aparece. O mel tem crescido em volume, em qualidade e em organização, e isso é muito importante para a agricultura familiar”, destacou.
Casas do Mel e valorização do produto acreano
A implantação das Casas do Mel representa um marco importante para a cadeia produtiva. Atualmente, uma unidade está em funcionamento em Senador Guiomard, e novas estruturas estão previstas para os municípios de Bujari e Xapuri. Esses espaços coletivos garantem padronização, qualidade, segurança alimentar e agregação de valor ao mel, ampliando as oportunidades de comercialização.
Outro avanço institucional destacado é o Selo D’Colônia, lançado pelo governo do Acre em 2023, que confere identidade sanitária e cultural aos produtos artesanais. A iniciativa amplia a confiança dos consumidores e contribui para a inserção do mel acreano em mercados diferenciados.
Além do impacto econômico, a apicultura e a meliponicultura se diferenciam por seu papel socioambiental. “Além de gerar renda, é uma atividade que respeita a floresta, fortalece a biodiversidade e ainda valoriza o trabalho das famílias, inclusive com uma participação cada vez maior das mulheres. Os investimentos do Programa REM, em parceria com a Seagri, têm ajudado a estruturar desde a produção até o beneficiamento, com iniciativas como as Casas do Mel e o Selo D’Colônia, que abrem novas oportunidades de mercado”, pontuou Marta Azevedo.
A cadeia do mel apoiada pelo Programa REM tem conquistado maior visibilidade em eventos estratégicos, como a Expoacre 2024 e 2025, além da participação em agendas nacionais e internacionais, incluindo a COP 30. As associações beneficiadas registraram resultados positivos em comercialização, evidenciando o potencial do mel como produto competitivo e representativo da sociobiodiversidade acreana.
Esse potencial também se reflete em trajetórias individuais de destaque, como a da produtora rural Maria Paulino da Silva, do Ramal Belo Jardim 3, que simboliza a excelência da produção agrícola acreana e teve seu desempenho como meliponicultora reconhecido nacionalmente, ao conquistar o 3º lugar na categoria de méis refrigerados na 8ª edição do Concurso Nacional de Méis de Abelhas Nativas, realizada no Rio de Janeiro.
Com investimentos contínuos, fortalecimento institucional e organização dos produtores, o governo do Estado, por meio do Programa REM Acre – Fase 2 e da Seagri, segue consolidando a cadeia produtiva do mel como um dos pilares das políticas públicas voltadas à economia sustentável e à melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais.
(Texto de Ellem Jady, extraído da Agência de Notícias do Acre)
