Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostram que o Acre registrou estabilidade no desmatamento em dezembro de 2025, acompanhando a tendência de queda observada em parte da Amazônia Legal. Apesar de não figurar entre os estados mais críticos no mês, o estado ainda enfrenta uma pressão estrutural persistente quando analisado o acumulado do segundo semestre.
Acre fora dos picos mensais, mas sem zerar alertas
Em dezembro de 2025, o SAD detectou 91 km² de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento de 7% em relação ao mesmo mês de 2024, quando foram registrados 85 km². Mato Grosso e Roraima lideraram o ranking mensal, com cerca de 26 km² cada, concentrando 29% do total em cada estado.
Na sequência aparecem o Pará (20 km²), Amazonas (8 km²), Acre (5 km²), Rondônia (4 km²) e Maranhão (2 km²). A participação acreana permaneceu em torno de 5% do total mensal, mantendo o estado fora do eixo mais crítico do desmatamento recente.
Na comparação com novembro de 2025, quando a Amazônia Legal somou 120 km² de desmate, houve redução de 29 km² no total. No Acre, a queda foi discreta, de 6 km² para 5 km², reforçando um padrão recorrente: ausência de picos abruptos, mas dificuldade em eliminar completamente os alertas mensais.
Queda expressiva no semestre, mas pressão continua
O cenário muda quando o foco recai sobre o acumulado de agosto a dezembro de 2025. Nesse período, o Acre registrou 187 km² de desmatamento, contra 275 km² no mesmo intervalo de 2024 — uma redução de aproximadamente 32%.
Embora o recuo seja significativo, o estado ainda permanece entre aqueles que exercem pressão contínua sobre a floresta. O dado indica avanço no controle, mas não caracteriza uma reversão estrutural do problema.
Desmate concentrado fora de áreas protegidas
O perfil fundiário do desmatamento segue como um ponto sensível. Em dezembro de 2025, 78% do desmate na Amazônia Legal ocorreu em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse. Assentamentos responderam por 14%, Unidades de Conservação por 7% e Terras Indígenas por apenas 1%.
No Acre, esse padrão se reflete especialmente em áreas privadas, ramais de ocupação recente e zonas de expansão agropecuária de pequena e média escala, geralmente associadas à fragilidade fundiária e à dificuldade de fiscalização contínua.
