O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, falou ao site ac24agro, em resposta às declarações do presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Acre (Sindicarnes), Murilo Leite, no programa agro24cast do último domingo (25).
Veronez apelou para a diplomacia para tentar distensionar a relação com os frigoríficos, antes de fazer a defesa da classe à qual pertence, a dos produtores de carne bovina. Na sequência, a fala integral de Assuero Veronez.
Lógica dos frigoríficos é correta
Eu concordo com a posição dos frigoríficos quanto à preocupação da oferta futura de boi para abate, considerando o investimentos que eles fizeram para aumentar a capacidade de abate, expansão do mercado, inclusive essa inserção no mercado exportador, graças aos investimentos feitos pelos frigoríficos, mas também pelos produtores, que melhoraram a qualidade dos bois e pelo governo também, via Idaf, que nos levou a alcançar um status sanitário que permitisse tal feito.
Número de abates
Tem também razão o Sindicarnes quando analisa os números de abates e venda de animais, confrontados com o número de nascimento de bezerros e conclui que estes não cobrem aqueles. Ou seja: o número de nascimentos é menor do que o número de abatidos.
Aumento da pauta do boi
Mas convenhamos, propugnar pelo aumento da pauta de R$ 1,9 mil para R$ 2,3 mil… ou seja, mais próximo do valor de mercado, oscilando para mais… para R$ 400, geraria um imposto a mais de R$ 48. Não seria, ao nosso ver, o impedimento pela quantidade da saída de bezerros. Os R$ 48 a mais no imposto não implica no impacto que refrear a saída de bezerros do estado.
Capitalismo de conveniência
Empresário sempre luta para pagar menos imposto. Nesse caso, os frigoríficos pedem que o governo aumente o imposto. É inusitado, né? Os frigoríficos já têm expressivos subsídios sobre a carne vendida. Mas os produtores de bezerro têm que pagar o imposto sobre o valor real? É aquela velha história: para quem defende o capitalismo de livre mercado não é plausível defender uma barreira tributária para regular preço ou regular mercado.
Agropolítica
A questão, na verdade, é de cunho mais político. São os pequenos produtores, que são a grande maioria, que produzem bezerros. E estes querem manter este canal de comercialização para outros estados.. Eles acham que dificultar a saída de bezerros restringe o mercado, levando a um excesso de bezerros ofertados no mercado local e jogando os preços para baixo.. São tudo conjecturas, não é? E só o tempo dirá. mas é pertinente pensar assim.
Valorização da arroba
Na verdade, pensam os pecuaristas que, se houvesse uma valorização da arroba do boi gordo, que é onde tem a maior reclamação, os preços praticados pelos frigoríficos locais, está sempre muito defasada, inclusive com Rondônia. Às vezes, fica mais próximo. Mas tem momentos que fica muito longe, especialmente quando você compara, por exemplo, com São Paulo, não é? Se houvesse maior valorização da arroba do boi gordo, o bezerro também alcançaria melhor preço, dificultando, assim, a comercialização para fora do Estado do Acre. Então, seria uma conjunção de fatores que seria, desde o aumento do imposto pedido pelos frigoríficos e, por outro lado, a valorização da arroba do boi gordo. E isso implicaria na melhora do preço do bezerro.
Queda de braço continua
Enfim, essa queda de braço deve continuar até que a gente saia dessa fase da especulação para os números concretos, reais. O fato é que a demanda por carne tem aumentado muito. O Brasil já é o maior exportador mundial e isso mexe com o mercado. Vejo que são poucos os instrumentos que a gente possa manejar para alcançar um equilíbrio nessa disputa. Nós temos que aguardar mesmo, ir trabalhando com esses números, sentando na mesa, tentando alcançar o bom senso. Porque tem razão o Murilo quando diz que eles fizeram o investimento e eles precisam da matéria prima… é verdade. Mas também têm razão os pecuaristas que querem uma valorização maior do seu bezerro. E se o bezerro acaba sendo demandado lá pelo Mato Grosso ou por outros estados e porque tem margem que cobre essa questão de imposto, frete e tudo o mais.
Ineficaz
Então, eu acho que a pedida feita pelo Sindicarnes de aumentar o valor da pauta para R$ 2,3 mil, acho que ela não funciona. O governo já pratica uma renúncia fiscal sobre esse valor, tentando atender à demanda dos pequenos produtores especialmente, mas não é suficiente para sustar, ou diminuir essa exportação de bezerros que está ocorrendo aqui. O tempo dirá.
