O carrapato bovino é considerado um dos maiores desafios sanitários da pecuária no Brasil, provocando prejuízos anuais estimados em mais de US$ 3,9 bilhões. O parasita afeta diretamente a produtividade, o bem-estar animal e a rentabilidade das propriedades rurais, além de representar um risco crescente à sanidade dos rebanhos.
No Rio Grande do Sul, as perdas econômicas causadas pelo carrapato chegam a R$ 300 milhões por ano, conforme dados da Emater/RS-Ascar, divulgados em uma série de entrevistas sobre o tema no programa de rádio da instituição. O impacto vai além dos custos com controle e tratamento, refletindo também na redução do ganho de peso, na queda da produção de leite e no aumento da mortalidade dos animais.
Um dos principais agravantes associados à infestação é a tristeza parasitária bovina (TPB), doença transmitida pelo carrapato e considerada a principal causa de morte de bovinos no estado. Embora os registros oficiais apontem cerca de dez mil mortes por ano, técnicos alertam que o número real pode ser até dez vezes maior, devido à subnotificação de casos no campo.
Outro fator que amplia a gravidade do problema é a resistência crescente aos carrapaticidas. Levantamento realizado pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) revela que 70% das propriedades gaúchas já apresentam multirresistência, situação em que os carrapatos não respondem a pelo menos quatro das sete classes de produtos disponíveis no mercado.
O cenário é ainda mais crítico em cerca de 5% das propriedades, onde nenhum dos carrapaticidas comercializados apresenta eficácia, tornando o controle químico praticamente inviável e elevando os riscos sanitários e econômicos para os produtores.
Especialistas destacam que o enfrentamento do carrapato bovino não deve se concentrar apenas nos animais. Estima-se que mais de 95% da população do parasita esteja presente no ambiente, principalmente no solo e no pasto, o que exige estratégias integradas de manejo. Medidas como rotação de pastagens, manejo adequado do rebanho e uso criterioso de produtos são apontadas como fundamentais para reduzir a pressão do parasita e retardar o avanço da resistência.
Diante desse cenário, o carrapato bovino segue como um dos principais entraves à sustentabilidade da pecuária brasileira, reforçando a necessidade de ações técnicas, acompanhamento veterinário e políticas de orientação aos produtores para minimizar perdas e preservar a sanidade dos rebanhos.
