Feijó lidera suínos no Norte e coloca o Acre no mapa da proteína

Município acreano encabeça ranking regional do IBGE e sinaliza virada da atividade.

Luiz Eduardo Souza
Suinocultura do Acre pode se beneficiar da abertura do mercado chileno, que exige critérios já cumpridos pelo estado

A suinocultura da Região Norte vive um momento de virada. Dados consolidados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, processados em 2026 com base no fechamento de 2024, mostram que Feijó, no Acre, lidera o ranking dos maiores rebanhos suínos da região, superando municípios tradicionalmente mais populosos do Pará e colocando o estado no centro da nova geografia da carne suína na Amazônia.

O desempenho de Feijó tem peso simbólico e econômico. Historicamente, a criação de suínos no Norte esteve ligada à subsistência, com baixa escala e pouca integração ao mercado. Agora, o avanço do município acreano indica transição para um perfil mais comercial, com produtores investindo em genética, manejo, ração e organização da cadeia.

Esse movimento não acontece isoladamente. Capitais e polos urbanos também começam a aparecer no radar. Porto Velho (RO), por exemplo, passou a figurar entre os principais rebanhos suínos da Região Norte no levantamento mais recente, o que reforça a ideia de interiorização e diversificação da produção de proteína animal fora do eixo Sul–Sudeste.

Apesar de o Norte ainda representar uma fatia menor do rebanho brasileiro quando comparado a gigantes como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, o que está em curso é uma mudança de patamar. Municípios amazônicos estão deixando de criar apenas para o consumo local e começam a se posicionar como fornecedores regulares, abrindo espaço para frigoríficos, cooperativas, crédito rural e políticas de sanidade.

No caso do Acre, o protagonismo de Feijó — acompanhado por outros municípios do estado que também figuram entre os maiores da região — aponta para uma vocação produtiva que dialoga com a agricultura familiar, gera renda no campo e ajuda a reduzir a dependência de carnes importadas de outros estados.

Em um cenário de recordes nacionais de produção e abate, o ranking liderado por Feijó mostra que a Amazônia, aos poucos, entra no mapa da suinocultura brasileira. E, nessa nova geografia da carne suína, o Acre deixou de ser coadjuvante para assumir o papel de referência no Norte. 

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