O site ac24agro volta a tratar dos dados apresentados pelo Boletim Pecuária Bovina, produzido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Acre e pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento, com dados do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf). Em respeito aos números; em respeito ao leitor; em respeito aos fatos, não há como tergiversar. Não há como vacilar. Não há como ter outro olhar: 2025 foi um ano de ouro para a pecuária acreana.
O que se tem observado é que as diversas personagens do segmento agropecuário não admitem os avanços e o ineditismo dos números por uma questão estritamente político-ideológica. Não querem vincular o sucesso dos números às decisões políticas que foram tomadas pelo Governo Federal, em específico e de forma precisa, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a maior expressão política daquilo que se convencionou chamar de “diplomacia presidencial”.
É evidente que, em algumas situações, é possível encher a boca e embalar o espírito com a frase “crescemos, apesar do Governo”. Sim, é verdade. Em algumas situações é quase teimosia querer produzir carne, vender soja e tantas outras coisas. Um exemplo que pode ser rapidamente lembrado é o Plano Safra no ciclo 2025/2026. O governo transforma em propaganda que se esvai em nada na primeira conversa com o gerente da agência bancária mais modesta. Os números polpudos gritados pelo Governo Federal de nada valem para quem precisa do acesso ao crédito.
Sem contar outro drama: quem ainda pode ter acesso ao crédito, já que a inadimplência no setor rural está com indicadores péssimos. Tudo isso é verdade. Tudo isso é fato. No entanto, outra realidade se impõe. Aos números.
No Acre, a taxa de desfrute foi registrada no boletim em 20,08%, ainda está abaixo da taxa nacional (na média, próxima de 21%). “A taxa de desfrute é um indicador de eficiência, sinalizando quanto foi produzido em relação ao que já existia. Para isso é calculada a relação entre produção do rebanho ao final de um ano, em relação ao rebanho efetivo inicial. É um indicador chave de performance (KPI) que mede a capacidade da propriedade de gerar um excedente produtivo (em cabeças ou arrobas), em relação ao seu estoque inicial, refletindo a eficiência e a rotatividade do rebanho”. A explicação é de uma referência da pecuária regional, o pesquisador da Embrapa e professor Judson Valentim.
Será que o leitor tem dimensão do que é sair de uma taxa de desfrute de 13%, 15% para 20,08%. É um salto qualitativo enorme. Isso significa a adoção de boas práticas no manejo de pastagens, inserção de técnicas e de tecnologias que melhoram a eficiência. E isso não é resultado apenas do esforço e do investimento do produtor. Tem política pública misturada a esse sucesso. Não é demérito reconhecer isto.
Outro dado apresentado pelo boletim: em 2025, foram abatidas 664.455 cabeças nos frigoríficos e abatedouros do Acre. De acordo com o Departamento Técnico da Faeac, “o abate apresentou aumento de 6,37% em relação a novembro, com acréscimo de 3.390 cabeças, e um crescimento de 10,87% em relação ao ano de 2024”. Repare, leitor: crescimento de 10,87% no número de abates.
Nesse momento, é possível dizer com clareza: os abates cresceram, apesar da sangria de gado acreano para outros estados. A saída de gado aumentou 74,65% (378.808 cabeças). É muito gado sendo finalizado e beneficiado longe do Acre, gerando emprego e renda com o que foi produzido aqui. No entanto, é preciso reconhecer que são dois dados que apontam que as duas pontas da cadeia produtiva da carne no Acre (a pecuária de cria e os frigoríficos) têm motivos para celebrar pelo trabalho desenvolvido ano passado. Isso não chega nem a ser opinião: os números mostram.
Por último, há os dados das exportações. Outro bom desempenho da pecuária acreana. O Acre exportou 5.693,7 toneladas de carne em 2025, com movimentação calculada em US$ 27,57 milhões, superando o que foi vendido em 2024. “As exportações de carne bovina totalizaram 467,5 toneladas em dezembro, com receita de US$ 2,64 milhões”, pontua o boletim.
Diante desse cenário, o ac24agro faz um apelo às diversas lideranças de todos os elos da cadeia produtiva da carne. É preciso pelejar pela unidade. Há pontos graves da agenda que precisam de lucidez, conhecimento técnico, menos política partidária e ideológica e mais racionalidade, tendo como referência a legislação ambiental e os negócios. A cadeia produtiva da carne no Acre é forte comparada às outras cadeias produtivas regionais. Mas a pecuária local é um bebê comparado a muitos estados.
Problemas como os embargos ambientais, a regularização fundiária, a inadimplência rural e o acesso ao crédito exigem uma unidade que, atualmente, está muito fragilizada por aqui. As diversas personagens da cadeia produtiva da carne precisam encontrar os consensos; precisam observar quais são os pontos em comum que fortalecem a necessária unidade. As divergências não precisam ser eliminadas. Pode-se até dizer que, democraticamente, elas são até necessárias. Mas elas precisam ser equacionadas com diálogo. É preciso atentar para isto: 2026 não será um ano para amadores.
