Mesmo em um cenário internacional marcado por guerras, tensões comerciais e oscilações nos preços das commodities, o Brasil conseguiu ampliar o fluxo de comércio exterior e fortalecer parcerias estratégicas. A avaliação é do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, que destacou o pragmatismo da política comercial brasileira.
Segundo Jorge Viana, o ambiente global de conflitos, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, trouxe impactos diretos para o Brasil, especialmente no encarecimento de insumos e defensivos agrícolas, além do aumento das tensões comerciais no mundo.
“Não é uma coisa simples. O mundo vive conflitos, uma guerra entre a Ucrânia e a Rússia, que impôs dificuldades para o Brasil. Os preços de defensivos agrícolas e insumos subiram rapidamente, e a tensão comercial aumentou com o que ficou conhecido como tarifaço”, afirmou.
Ele explicou que parte dessas disputas ainda não foi totalmente resolvida, especialmente entre grandes potências, mas que o Brasil conseguiu reduzir sua exposição aos principais embates comerciais.
“Não está resolvido ainda com a China, e com o Brasil ainda tem uma parte que precisa ser resolvida, mas nós saímos da linha de tiro”, destacou.
Apesar das instabilidades, o presidente da Apex ressaltou que o país teve crescimento relevante nas exportações de commodities estratégicas, como petróleo e minério de ferro, o que ajudou a sustentar o desempenho do comércio exterior.
“O Brasil cresceu muito na exportação de petróleo e também de minério de ferro. Isso alterou positivamente o fluxo de comércio”, disse.
Viana destacou ainda a ampliação das relações comerciais com parceiros estratégicos. O maior crescimento, segundo ele, foi com a Argentina, onde o comércio aumentou 31%, o equivalente a US$ 18 bilhões.
“O maior crescimento nosso foi com a Argentina. Aumentamos em 31% o comércio, e fizemos isso com pragmatismo. O governo não escolhe parceiro comercial, negócio é negócio”, afirmou.
O segundo maior avanço foi com o Reino Unido, com crescimento de 10% e incremento de cerca de US$ 4 bilhões, seguido pela Índia, apontada como um dos principais mercados estratégicos para o futuro.
“O terceiro maior crescimento foi com a Índia. É o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de pessoas. Nosso comércio já chegou a US$ 15 bilhões, e o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para lá. É onde está o maior potencial de crescimento do fluxo de comércio com o Brasil nas próximas décadas”, concluiu.
