México e Chile redesenham exportações brasileiras de carne suína e bovina

Presidente da Apex confirma que uma das prioridades é “garantir protagonismo” de estados como Acre e Rondônia

Itaan Arruda
Carne embalada em frigorífico brasileiro: México e Chile se tornam estratégicos para novas exportações.

México e Chile estão entre os 400 mercados abertos para produtos brasileiros. Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, isso pode ter impacto muito positivo. “Muda a geografia econômica das exportações de carne suína e bovina no Brasil”, afirmou.

A afirmação do presidente da Apex guarda relação com uma missão que lhe foi apresentada pelo presidente Lula: fazer com que regiões sem a cultura exportadora pudessem participar mais do disputado e exigente mercado internacional. O Norte e o Nordeste estão nesse radar.

Mas no que se refere à exportação de carne bovina e suína, o Norte sai na frente na agenda da Apex. “Nossa prioridade é garantir que estados como Acre e Rondônia tenham protagonismo nesse processo. Estamos falando de novas oportunidades, emprego e renda para milhares de famílias brasileiras”.

Para que isso se torne realidade, o trabalho da Apex precisa estar afinado com o do Ministério da Agricultura e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No que se refere à carne de suínos, por exemplo, o México só importa carne de Santa Catarina. Só há habilitação para os frigoríficos catarinenses.

Na missão liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin ao México, o governo da presidente Claudia Sheinbaum se comprometeu a rever essa postura. Isso deve gerar um conjunto de visitas formais de técnicos do Ministério da Agricultura do México para avaliar frigoríficos de Rondônia e Acre. Ainda não foram anunciadas datas. Mas a disposição e o anúncio oficial de revisão já são parte de uma vitória importante.

“É um mega indicativo. Eles precisam desse produto. Eu tenho certeza de que vão aprovar e vão fazer essa habilitação. Eles precisam desse produto”, afirmou o empresário Paulo Santoyo, da Dom Porquito. “A aproximação com o México está boa. O Trump empurrou o Brasil para isso”.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, o entusiasmo está também autorizado para quem lida com carne bovina. Ainda esta semana, a Abiec divulgou que o México é o segundo maior comprador da carne bovina brasileira. Superou os Estados Unidos. O mês de agosto foi a referência com o Brasil exportando 10,2 mil toneladas para o México. Isso equivale a US$ 58,8 milhões.

Exportações de Carne para o México

AnoCarne bovina (US$ milhões)
202320
2024200
2025 (proj.)600 (projeção)
AnoCarne suína (US$ milhões)
2023112
2024620
2025
Nota: valor em US$ milhões. A cifra de 2025 para carne bovina é **projeção** (indicada pela fonte). A ausência de valor para suíno em 2025 indica que não foi informado/projetado pela fonte fornecida.
Fonte: Associação Brasileira de Proteína Animal (carne suína 2024); fonte divulgada (carne bovina e projeção).
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