O desempenho da indústria brasileira segue em trajetória de crescimento em 2026, mas os estados da Região Norte ainda enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo nacional. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Amazonas acumulou queda de 3,5% na produção industrial entre janeiro e abril deste ano, enquanto o Pará registrou crescimento tímido de apenas 0,4%.
No acumulado do primeiro quadrimestre, a indústria nacional avançou 1,7%, impulsionada principalmente pelos resultados do Espírito Santo (25,3%), Pernambuco (19,7%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio de Janeiro (7,3%) e Mato Grosso (4,2%).
Entre os estados nortistas pesquisados pelo IBGE, o cenário é menos favorável. O Amazonas aparece entre os oito locais com resultado negativo no acumulado do ano, reflexo principalmente da desaceleração do Polo Industrial de Manaus. Já o Pará conseguiu permanecer no campo positivo, mas com crescimento bem abaixo da média brasileira.
Na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês de 2025, a situação também preocupa. O Amazonas registrou retração de 4,2% na produção industrial, enquanto o Pará teve queda de 2,8%. No mesmo período, a indústria nacional avançou 2,7%.
Os números reforçam os desafios enfrentados pela atividade industrial na Região Norte, que convive com elevados custos logísticos, dependência de poucos segmentos produtivos e menor diversificação econômica quando comparada às regiões Sul e Sudeste.
Apesar disso, o setor industrial brasileiro manteve desempenho positivo em abril, com crescimento de 0,7% frente a março. Entre os destaques do mês estiveram Bahia (3%), Ceará (2,3%), Espírito Santo (2,1%) e Minas Gerais (2,1%).
Nos últimos 12 meses, o Amazonas também voltou ao campo negativo, acumulando retração de 0,7%, enquanto o Pará fechou o período com queda de 1,7%. Em contraste, estados como Espírito Santo (21,9%), Rio de Janeiro (6,9%) e Rio Grande do Sul (3,9%) apresentaram os melhores resultados do país.
Para especialistas, os dados evidenciam a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, logística e agregação de valor à produção regional, especialmente em atividades ligadas ao agronegócio, bioeconomia e processamento de matérias-primas produzidas na Amazônia.
