O ac24agro volta ao tema diante da gravidade do que os pesquisadores e meteorologistas estão apontando: este ano teremos um El Niño muito forte; severo; ou, como querem as manchetes, um “Super El Niño”. O leitor precisará compreender que a função de bem informar do jornal proíbe a postura negacionista em relação às mudanças climáticas.
O leitor tem todo o direito de embarcar na retórica de qualquer político oportunista de plantão. Há liberdade para isto. Mas, por dever, o jornal não se permite isto. A cena é grave e exige respostas urgentes.
A questão que se põe aqui não é a regularidade do fenômeno climático. Ele acontece há muito tempo. Mas o que os dados apontam é que as consequências estão ficando mais graves, em função da interferência humana: emissão de gases de efeito de estufa, uso de combustíveis fósseis, destruição de florestas e matas ciliares. O cenário não autoriza nenhum otimismo. Minimizar o problema, sobretudo por questões político-ideológicas, é de uma irresponsabilidade inominável.
O Rio Acre mesmo é, talvez, o melhor exemplo. Percorrendo o itinerário mais antropomorfizado, agoniza a cada verão. Em qualquer ponto que se suba um drone, a partir do meio do rio, percebe-se porque ele sofre tanto. A mata que deveria protegê-lo já não existe mais em quase todo o curso.
É preciso que a União, o Estado e todos os municípios por onde o Rio Acre passa precisam esboçar alguma reação. É preciso um grande pacto envolvendo bancos de fomento nacionais e até internacionais para mudar essa cena.
O produtor não pode arcar com esse reflorestamento sozinho. Não pode, não tem condições e não irá fazer. A cena política atual não permite: o produtor está negando até as mudanças climáticas, como vai gastar o dinheiro que não tem para reflorestar aquilo que ele acha que não precisa? É preciso, antes, fazer um convencimento de ordem política.
A cantilena sempre repetida “o Acre tem um clima maravilhoso”; “no Acre, chove o ano todo!” é parte de uma retórica que, a cada ano, fica mais perigosa. A ladainha dita pelo ex-governador Wanderley Dantas de que “o Acre é um Nordeste sem seca e um Paraná sem geada” ainda está iludindo muitos por aqui. Os tempos são outros. Não perceber isso é colocar em risco o próprio negócio, a própria produção, seja agrícola, seja pecuária.
O produtor daqui parece que ainda não sofreu o suficiente. Se não mudar a postura de forma urgente, esse tempo virá. O produtor do Amazonas já sentiu essa dor. O produtor do Acre está pagando para ver.
