Safra recorde pressiona logística e provoca filas quilométricas no Pará

Congestionamento de caminhões no sudoeste do Pará atrasa descarga de soja e eleva custos no pico da exportação

Luiz Eduardo Souza
Fila de caminhões se estende por quilômetros em Miritituba, no Pará, durante o pico da safra recorde de soja, evidenciando os gargalos logísticos no escoamento da produção brasileira. Foto: Reprodução.

O Brasil enfrenta novos gargalos logísticos no escoamento da safra recorde de soja 2025/26. Caminhoneiros relatam atrasos incomuns para descarregar no terminal portuário de Miritituba, distrito de Itaituba, no sudoeste do Pará. O ponto é estratégico para o chamado Arco Norte, corredor que conecta a produção do Centro-Oeste aos portos da Amazônia.

As filas de caminhões chegam a cerca de 30 quilômetros, com motoristas aguardando por vários dias para acessar os pátios de triagem e descarga. Grande parte das cargas sai do Mato Grosso, principal produtor nacional de soja, após percorrer trajetos superiores a mil quilômetros até o terminal. O volume concentrado no pico da colheita pressiona a estrutura disponível e provoca lentidão nas operações.

A safra brasileira é estimada em aproximadamente 180 milhões de toneladas, a maior da história. O fluxo intenso de caminhões supera a capacidade operacional dos terminais e amplia a dependência do transporte rodoviário, que responde por cerca de 60% do escoamento de grãos no país. A limitação de pátios e de áreas de transbordo contribui para o congestionamento.

Projetos de ampliação das hidrovias amazônicas enfrentam impasses e incertezas, o que mantém a pressão sobre a malha rodoviária. Os atrasos elevam custos logísticos, afetam prazos de embarque e impactam a competitividade da soja do Brasil no mercado internacional, justamente em um momento de produção recorde.

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