O crédito rural empresarial apresentou crescimento no Brasil entre julho de 2025 e janeiro de 2026, mas a Região Norte seguiu na contramão do movimento nacional. Enquanto o volume total contratado no país avançou 6% e os recursos efetivamente concedidos cresceram 3%, os estados nortistas registraram queda de 30% nos valores liberados e redução de 36% no número de contratos em relação ao mesmo período da safra 2024/2025.
De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/Banco Central), o volume total contratado no país atingiu R$ 316,57 bilhões no período analisado, ante R$ 298,84 bilhões no ciclo anterior. Já os recursos concedidos — aqueles efetivamente liberados na conta do produtor — somaram R$ 307,11 bilhões.

Norte perde ritmo
Na Região Norte, o cenário foi de retração tanto em número de operações quanto em valores. Os contratos caíram de 18.003 para 13.910 (-23% considerando a tabela consolidada, mas com variações que chegam a -36% no detalhamento regional), enquanto os valores liberados recuaram de cerca de R$ 8,8 bilhões para R$ 6,2 bilhões, representando queda de aproximadamente 30%.
A retração acompanha o movimento observado em todas as regiões do país, mas no Norte o impacto é mais sensível devido à menor base histórica de crédito e à forte dependência de linhas tradicionais, como custeio e investimento.
CPR sustenta crescimento nacional
O principal motor do desempenho positivo nacional foi a emissão de Cédulas de Produto Rural (CPR), que registrou crescimento de 37%, somando R$ 143,22 bilhões contratados.
Quando somados os valores de custeio e CPR, o volume destinado ao financiamento da safra alcança R$ 241,38 bilhões — alta de 10% em relação à temporada passada. A CPR, majoritariamente utilizada para custeio, reforça o papel do mercado privado no financiamento do agro brasileiro.
No entanto, a expansão da CPR não foi suficiente para evitar a queda no número total de contratos no país, que recuou 24%, passando de 445 mil para 337 mil operações. O dado indica aumento do valor médio por contrato e maior concentração das operações.
Investimento recua com juros elevados
As linhas de investimento apresentaram retração expressiva. Os recursos concedidos para essa finalidade somaram R$ 29,04 bilhões, queda de 34%. Já nas contratações, a redução foi de 20%.
Programas como Moderfrota, Inovagro e Proirriga registraram desempenho inferior ao da safra anterior, refletindo a cautela do produtor diante das taxas de juros ainda elevadas, apesar da expectativa de queda da Selic até o fim de 2026.
No Norte, onde os investimentos em infraestrutura, mecanização e armazenagem ainda são gargalos estruturais, a retração pode impactar a modernização produtiva nos próximos ciclos.
Industrialização avança

Em sentido oposto, o crédito destinado à industrialização cresceu 45% nas contratações e 43% nas concessões, totalizando R$ 18,98 bilhões liberados. O dado sinaliza movimento de agregação de valor e fortalecimento das agroindústrias.
Recursos equalizáveis ainda têm saldo elevado
Dos R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis para o Plano Safra 2025/2026, apenas R$ 44,23 bilhões haviam sido concedidos até janeiro, restando 61% do total ainda disponível para contratação.
No custeio, foram liberados R$ 29,37 bilhões de R$ 63 bilhões programados. Em investimento, R$ 14,59 bilhões de R$ 49,5 bilhões.
O ritmo de execução indica que parte relevante dos recursos ainda pode ser acessada ao longo do primeiro semestre, o que pode influenciar o desempenho final da safra.

Cenário misto
O balanço do período revela um cenário de expansão moderada do crédito rural no país, sustentada principalmente pela CPR e pela industrialização. Por outro lado, a retração nas linhas tradicionais de investimento e a queda no número de contratos indicam um ambiente de maior seletividade e cautela.
Na Região Norte, os dados reforçam o desafio histórico de ampliar o acesso ao crédito e fortalecer políticas específicas que considerem as particularidades da produção regional, marcada por agricultura familiar, extrativismo e cadeias produtivas em consolidação.
Os números foram extraídos em 4 de fevereiro de 2026 pelo Mapa, com base nas informações do Sicor/Banco Central, e integram o Boletim de Desempenho do Plano Safra 2025/2026.
