Moradores do Walter Acer denunciam ramal deteriorado e secretário alega dificuldades com chuvas e falta de máquinas

Redação
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Moradores do assentamento Walter Acer, na zona rural do município de Bujari, manifestaram revolta com as condições do ramal que dá acesso à comunidade e atribuíram a situação ao que classificam como serviço mal executado pela Prefeitura. A localidade reúne cerca de 900 moradores, que dependem da via para escoamento da produção agrícola, deslocamento de estudantes e acesso a serviços básicos.

Em vídeo encaminhado à reportagem, o morador Joel Damaceno criticou o resultado do trabalho realizado recentemente no ramal. Segundo ele, após a intervenção, a situação da estrada piorou significativamente, especialmente após as primeiras chuvas do período invernal.

“O trabalho que eles fizeram não resolveu o problema. Antes a gente passava sem precisar entrar dentro da água. Agora, com poucas chuvas, o ramal já está tomado por valas e alagamentos”, relatou.

Outro morador, identificado como Lira, também fez um desabafo sobre a situação e relembrou a origem do assentamento, criado para acolher famílias que vieram da Bolívia há anos e que hoje sobrevivem principalmente da agricultura familiar.

Ele explicou que a região possui uma característica rara no município: a presença de piçarra natural no solo, o que, segundo ele, sempre facilitou a manutenção do ramal quando o serviço era feito corretamente.

“O problema é que o serviço que vem sendo feito é só raspagem. Retiram a piçarra do ramal, não fazem valeteamento, não recompõem onde está deteriorado. Com isso, quando chega o inverno, a situação fica insustentável”, afirmou.

Ainda de acordo com o morador, devido às condições do ramal que liga o assentamento à rodovia Bujari–Porto Acre, muitos moradores estão optando por utilizar a rota do Muntum, que é asfaltada, apesar de ser um percurso mais longo.

O que diz a Prefeitura

Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Obras, João Ítalo da Silva Lima, informou que as condições climáticas têm dificultado os trabalhos na região.

Segundo ele, o período chuvoso deixa o solo encharcado, o que inviabiliza a execução de serviços mais consistentes no ramal. “Estava de férias e, nesse período, o ramal ficou muito encharcado. Para esse tipo de serviço, o ideal é utilizar trator de esteira, mas a máquina está em manutenção. No inverno, a gente faz o serviço possível, o que dá para ser feito”, explicou.

O secretário também destacou que a equipe tentou realizar o máximo possível dentro das limitações impostas pelo clima e pela falta de material adequado.

“Todos os dias está chovendo. Não temos piçarra disponível para recompor o ramal. Esse é o ramal que mais tem piçarra natural, a gente percebe pelo solo escuro. Mas, com o inverno mais rigoroso, não tem como trabalhar com máquina de pneu”, concluiu.

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