Entre 2010 e 2025, o Acre não apenas ampliou de forma expressiva o número de países compradores de seus produtos, como também registrou um avanço significativo no valor exportado. No início da série em destaque, as vendas externas somavam cerca de US$ 20,7 milhões; em 2025, atingem US$ 98,8 milhões — um crescimento que multiplica por quase cinco vezes o desempenho inicial. A expansão da base de mercados, que passou de 22 para 51 países no período, revela uma inserção internacional mais diversificada. Já o aumento do valor exportado evidencia um dinamismo econômico mais robusto, associado à consolidação de cadeias produtivas, ao fortalecimento do agronegócio e à maior integração do estado ao comércio global. Trata-se, portanto, de uma mudança quantitativa e qualitativa na presença do Acre no cenário internacional.

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) – MINDIC
2010–2020: da concentração tradicional à diversificação progressiva
No início da década passada, as exportações do Acre estavam fortemente direcionadas a mercados tradicionais da Europa e da América do Sul. Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido, Argentina, Bolívia, Peru e Estados Unidos figuravam entre os principais destinos. Em 2010, o estado exportava para 22 países.
Entre 2010 e 2015, houve até uma leve retração no número de mercados, que caiu para 18 destinos, indicando maior concentração. A partir de 2016, porém, inicia-se um processo consistente de diversificação. Países asiáticos como Coreia do Sul, Japão, Taiwan (Formosa), Hong Kong e Vietnã passam a integrar a pauta de destinos. No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos surgem como novo mercado relevante. Também aparecem economias do Caribe e da Europa Oriental.
O salto mais significativo ocorre entre 2018 e 2020. O número de países compradores sobe de 33 para 44. Nesse período, o Acre incorpora mercados na África Subsaariana, como Costa do Marfim, Congo e Gana; no Sul da Ásia, como Bangladesh e Índia; além de Paquistão, Moçambique, Nova Zelândia e Panamá. Ao final de 2020, o estado já apresentava uma rede comercial muito mais ampla e menos dependente de mercados tradicionais.
Esse primeiro período, portanto, caracteriza-se como uma fase de abertura e diversificação progressiva, com clara expansão para economias emergentes.
2020–2025: consolidação multipolar e ampliação na África e Ásia
A partir de 2020, o processo de incorporação de novos mercados continua, embora em ritmo mais moderado. O número de destinos cresce de 44 em 2020 para 48 em 2022 e alcança 51 em 2023, mantendo-se nesse patamar até 2025.
Nesta segunda fase, observa-se aprofundamento da presença do Acre na África, com a incorporação de Argélia, Camarões, Gabão, Serra Leoa, Libéria, Guiné e Guiné Equatorial. No Oriente Médio, surgem Arábia Saudita, Omã e Kuwait. Na Ásia, entram Malásia, Mianmar, Iraque, Quirguistão e Sri Lanka. Também aparecem novos mercados na América Central, como Guatemala e El Salvador.
Países como Costa do Marfim, Congo, Gana, Bangladesh, Índia, Paquistão, Vietnã e Emirados Árabes Unidos, incorporados ainda no primeiro período, permanecem na base exportadora nos anos seguintes, funcionando como elo entre as duas fases de expansão.
O que se observa é a consolidação de uma inserção claramente multipolar, com forte presença em África, Sul e Sudeste Asiático e Oriente Médio, reduzindo a centralidade histórica da Europa como principal eixo comercial.
Uma nova geografia comercial
A trajetória entre 2010 e 2025 revela que o Acre deixou de operar predominantemente em mercados euro-atlânticos e regionais para consolidar uma rede global diversificada, com capilaridade em três continentes. O crescimento do número de destinos — de 22 para 51 países — indica maior inserção internacional e redução da vulnerabilidade associada à dependência de poucos compradores.
O desafio, a partir de agora, não parece ser apenas ampliar o número de mercados, já estabilizado no patamar máximo da série, mas aprofundar a qualidade dessa inserção: ampliar volumes, agregar valor à pauta exportadora e consolidar presença nos mercados estratégicos conquistados na última década.
A ampliação do número de países compradores, que saltou de 22 em 2010 para 51 em 2025, representa um avanço importante na inserção internacional do Acre, mas não pode ser vista como ponto de chegada. Diversificar mercados reduz riscos e amplia oportunidades, porém o verdadeiro desafio está na qualificação dessa inserção. Não basta vender para mais países; é necessário inovar nos processos produtivos, incorporar tecnologia, elevar padrões sanitários e ambientais e agregar valor à pauta exportadora. A consolidação da presença acreana no cenário internacional dependerá cada vez mais da capacidade de melhorar a qualidade dos produtos, investir em certificações, rastreabilidade e diferenciação, além de ampliar estudos técnicos e estratégicos sobre mercados, tendências de consumo e exigências regulatórias. O futuro das exportações do Acre não está apenas na expansão geográfica, mas na construção de competitividade sustentável e inteligente.
Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas
