Comércio do Acre recua 4,8% em janeiro e sente peso dos juros

Redação
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O varejo do Acre iniciou 2026 em retração e registrou queda de -4,8% no volume de vendas em janeiro, no comparativo com o mesmo mês de 2025. O dado, divulgado nesta quarta-feira (11) no Índice do Varejo Stone, coloca o estado no grupo das unidades da federação que começaram o ano no campo negativo, em um cenário de consumo pressionado por juros altos, endividamento das famílias e crédito mais caro.

De acordo com o relatório, o resultado do Acre aparece no mapa nacional que apresenta a variação anual do Índice Restrito por estado. A publicação destaca que, em janeiro, somente o Amapá teve alta nas vendas, com crescimento de 2,9%, enquanto todos os demais estados registraram retração, incluindo o Acre, que fechou o mês com queda de -4,8%.

O índice reforça que o enfraquecimento do varejo foi disseminado no país e atingiu com força regiões como Norte e Nordeste. No recorte regional, a Stone aponta que a região Norte teve retração média anual de -2,8%, mas o Acre ficou abaixo desse patamar, com desempenho mais negativo do que a média regional.

No panorama nacional, o relatório mostra que o varejo brasileiro abriu 2026 em queda. O índice ampliado recuou 1,3% na comparação mensal (com ajuste sazonal), enquanto o índice restrito caiu 0,9%. Já no comparativo anual, os índices apresentaram retrações de -5,9% e -5,6%, respectivamente, indicando que o consumo iniciou o ano em um nível inferior ao de 2025, que já havia sido considerado difícil para o setor.

A análise econômica da Stone aponta que a resiliência do emprego e o avanço da renda ainda sustentam parte do consumo, mas encontram um obstáculo relevante no endividamento elevado e no alto custo do crédito. O relatório destaca que, em novembro de 2025, o comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida chegou a 29,3%, o maior nível da série histórica, o que segue travando decisões de compra e reduzindo o ritmo do comércio.

Entre os segmentos analisados, o único que apresentou crescimento mensal foi o de Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, com alta de 1,4%, influenciado pela deflação recente da alimentação no domicílio. Mesmo assim, o setor operou abaixo do nível de janeiro de 2025 no comparativo anual (-4,2%). Já o pior desempenho ficou com Combustíveis e Lubrificantes, que recuou -5,6% no mês e acumulou queda anual de -15,1%, a maior retração entre todos os segmentos.

Para o Acre, o resultado negativo de -4,8% indica um início de ano de consumo mais fraco, em linha com o cenário nacional, mas com desempenho inferior ao da média da região Norte. O relatório conclui que as próximas leituras serão decisivas para avaliar se a desaceleração se mantém ou perde intensidade, especialmente diante da expectativa de que 2026 possa ter alívio gradual nas condições financeiras com o possível início de queda da taxa básica de juros a partir de março.

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