Jornalista aposta na produção de café especial no interior do Acre

Com produção própria, torra artesanal e marca própria, Luízio Oliveira agrega valor ao café cultivado em Acrelândia e envolve toda a família no processo, do campo à comercialização

Luiz Eduardo Souza
Café fruto da agricultura familiar. Foto: Arquivo pessoal.

Depois de mais de uma década contando histórias de produtores rurais como repórter de televisão, o jornalista Luízio Oliveira decidiu viver a própria experiência no campo. Em Acrelândia, no interior do Acre, ele investe no cultivo de café especial, com produção em pequena escala, torra própria e comercialização direta ao consumidor, apostando na agricultura familiar e no valor agregado como estratégia de crescimento.

Ao longo da carreira, Luízio atuou na TV Acre e na Rede Amazônica, sempre com forte ligação com pautas do meio rural. Foi justamente esse contato frequente com cafeicultores que despertou o interesse em aprender mais sobre a cultura. Em uma propriedade rural onde já trabalhava com pecuária, ele separou uma área para iniciar a lavoura de café, começando com apenas dois mil pés.

“Plantei pouco de propósito, porque a ideia era aprender o manejo, entender os tratos culturais, errar e acertar antes de crescer”, relata. Hoje, a lavoura conta com cerca de cinco mil pés de café e o produtor planeja dobrar esse número, mantendo o crescimento gradual. Já no terceiro ano de cultivo, ele destaca que o aprendizado no campo caminha junto com a experiência na comercialização.

Diferente do modelo tradicional de venda em sacas de 60 quilos, Luízio optou por torrar e moer o próprio café, criando a marca “Meu Café”. A proposta é simples e direta: o mesmo produtor que cuida da lavoura é quem torra, embala e vende o produto final. “É um café especial, com grãos selecionados e muito cuidado em cada etapa”, afirma.

O café é comercializado em grão e moído, em embalagens de 250 e 500 gramas, além de potes. Mais recentemente, o produtor lançou o drip coffee — café em sachê individual, preparado diretamente na xícara com água quente, como um chá. A novidade amplia o alcance do produto e acompanha uma tendência de consumo prático e diferenciado.

A produção ainda não é colocada em grande escala no mercado. Segundo Luízio, a decisão está ligada ao processo de aprendizado tanto no manejo da lavoura quanto na torra. “Eu fui em busca de uma torra especial e hoje já recebo um retorno muito positivo. As pessoas elogiam, pedem mais, e isso mostra que estamos no caminho certo”, diz.

Outro diferencial do projeto é o envolvimento direto da família. A lavoura funciona em regime de agricultura familiar, com a participação da esposa e do filho de 16 anos. Enquanto todos ajudam nos tratos culturais, como adubação e desbrota, cada um também assume um papel estratégico no negócio. O filho é responsável pelo design das embalagens e pela divulgação nas redes sociais, e a esposa cuida da parte financeira.

“Isso uniu ainda mais a nossa família. Todo mundo participa, aprende junto e cresce junto”, destaca. Para ele, a experiência tem um significado especial: depois de anos contando histórias de sucesso no campo, agora é a própria trajetória que está sendo construída.

Atualmente, Luízio segue atuando na área da comunicação pública, conciliando o trabalho com a rotina no campo. “É uma bênção poder cultivar café, comercializar, fazer a própria torra e ver as pessoas gostando do produto. Quem mexe com café se encanta”, resume.

Assuntos Relacionados
Compartilhar esta notícia
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *