Um estudo estimou que o Brasil perdeu cerca de 1,4 bilhão de toneladas de carbono no solo em decorrência da conversão de vegetação nativa em áreas agropecuárias. A análise considerou dados de mais de 370 estudos realizados ao longo dos últimos 30 anos nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa.
A estimativa refere-se apenas à camada superficial do solo, até 30 centímetros de profundidade, e representa a diferença entre o carbono que estaria estocado caso as áreas permanecessem com vegetação nativa e o volume atualmente presente em solos utilizados pela agropecuária. O levantamento é considerado um ponto de partida para mensurar a chamada “dívida de carbono” dos solos brasileiros, até então pouco quantificada.
A pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon), da Esalq/USP, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Embrapa. Os resultados indicam que parte do carbono perdido pode ser recuperada por meio de melhorias no manejo do solo, como a adoção de sistemas integrados de produção e o plantio direto.
Segundo o estudo, a recarbonização de aproximadamente um terço das áreas analisadas poderia contribuir para o alcance de 59% a 67% da meta brasileira de redução de emissões até 2035. A recuperação dos estoques de carbono também pode gerar créditos de carbono, abrindo oportunidades econômicas para os produtores rurais.
A análise destaca que o potencial de recuperação varia entre os biomas, em função das características climáticas, hídricas e do solo de cada região. O estudo não inclui o carbono perdido na biomassa aérea da vegetação suprimida nem em camadas mais profundas do solo, mas fornece subsídios técnicos para orientar políticas públicas, práticas de manejo sustentável e estratégias relacionadas ao mercado de carbono.
