Tarifa dos EUA derruba exportações de café solúvel brasileiro

Sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos interrompe ciclo de recordes e provoca queda de dois dígitos nos embarques do produto

Luiz Eduardo Souza

A imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre o café solúvel brasileiro interrompeu o ciclo de recordes nas exportações do produto e provocou uma retração significativa nos embarques ao longo de 2025. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) mostram que o Brasil exportou 85,1 mil toneladas no ano passado, o equivalente a 3,69 milhões de sacas de 60 quilos, volume 10,6% inferior ao registrado em 2024.

Os Estados Unidos figuram historicamente entre os principais destinos do café solúvel brasileiro e a elevação da tarifa reduziu a competitividade do produto nacional naquele mercado. Com o encarecimento do café brasileiro, indústrias e importadores norte-americanos passaram a buscar alternativas em outros países produtores, afetando diretamente o desempenho das exportações brasileiras.

Até então, o setor vinha acumulando sucessivos recordes, impulsionado pela demanda internacional e pela capacidade da indústria nacional de agregar valor ao grão por meio do processamento. A mudança no cenário comercial, no entanto, trouxe desafios para as empresas exportadoras, que agora buscam redirecionar parte da produção para outros mercados e diversificar destinos.

Apesar da queda no volume embarcado, a Abics avalia que o Brasil segue como um dos principais players globais no segmento de café solúvel, sustentado pela escala produtiva, qualidade do produto e tradição no comércio internacional. A entidade destaca, contudo, que a manutenção de barreiras tarifárias elevadas pode comprometer a retomada do crescimento do setor nos próximos anos.

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